Felipe Rau/ Estadão
Felipe Rau/ Estadão

Sindicato dos Motoristas anuncia fim de greve parcial de ônibus em SP

Segundo a SPTrans, 18 linhas da empresa Sambaíba não circularam nesta manhã, enquanto Metrô e CPTM operaram normalmente. Rodízio municipal de veículos está suspenso nesta sexta-feira

Redação, O Estado de S.Paulo

06 de setembro de 2019 | 10h59
Atualizado 07 de setembro de 2019 | 00h50

SÃO PAULO - O presidente do Sindicato dos Motoristas e Trabalhadores em Transporte Rodoviário Urbano de São Paulo (SindMotoristas), Valdevan Noventa, anunciou o fim da paralisação parcial da categoria, por volta das 15h desta sexta-feira, 6. Em meio à forte chuva, ele afirmou que houve um recuo por parte do poder público e que as reivindicações da categoria foram atendidas.

Disse ainda que não haverá redução da frota, que não haverá desemprego para os trabalhadores na questão do fim dos cobradores nos coletivos e reforçou que a participação nos lucros e valores (PLR) da categoria será paga em parcela única, a ser depositada na próxima quarta-feira, 11. Ele também afirmou que não haverá desconto na folha de quem participou da paralisação.

A categoria é contra um suposto corte de 1.500 veículos da frota e de cobradores, além disso, cobra o pagamento da participação nos lucros e valores.

A greve parcial de motoristas e cobradores afetou, nesta sexta-feira, a circulação de ônibus na capital paulista. Segundo a São Paulo Transporte (SPTrans), 18 linhas da empresa Sambaíba, que opera na zona norte da cidade, não circularam.  Além da zona norte, a região central sentiu as consequências da paralisação. O trânsito ficou intenso na área da sede da Prefeitura, com filas de ônibus parados no Viaduto do Chá, na Rua Venceslau Brás, na Praça da Sé e na esquina da Avenida São João com a Rua Líbero Badaró.

Por volta das 14h, o Sindicato das Empresas de Transporte Coletivo Urbano de Passageiros de São Paulo (SPUrbanuss) informou o porcentual de ônibus de cada viação que operam no início da tarde desta sexta-feira. Os números não incluem os micro-ônibus do sistema local, isto é, as antigas cooperativas, que não são associadas à SPUrbanuss.

A cidade registrou lentidão acima da média no fim da tarde e início da noite. Segundo dados da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), das 17h30 às 19h30 o trânsito ficou mais complicado na capital. O pico ocorreu às 19h, quando 145 km de avenidas monitoradas apresentavam congestionamento. No restante do dia, o tráfego esteve compatível com a média, com leve elevação às 11h da manhã. Os maiores gargalos eram na Marginal do Tietê, na altura do acesso à Dutra, na Marginal do Pinheiros, na altura da Ponte João Dias. 

Veja abaixo o porcentual de ônibus nas ruas por empresas:

  • Brígida = 93%
  • Sambaíba = 51%
  • Metrópole = 56 %
  • Ambiental = 100%
  • Express = 97%
  • Viasudeste = 80%
  • Grajaú = 80%
  • Mobibrasil = 70%
  • C. Belo = 80%
  • Kbps = 80%
  • Gatusa = 90%
  • Transppass = 80%
  • Gato Preto = 70%

De acordo com a leitora Náglifa Miranda o bairro do Jardim Peri, na zona norte, está sendo bastante afetado com a greve de ônibus.

"Nenhum ônibus circula por aqui! Utilizo a linha 148L, no sentido da Lapa, para ir para o trabalho, mas infelizmente não consegui ir", relatou ela. 

Você teve problemas por causa da greve de ônibus? Envie seu relato para o Estado, por WhatsApp, pelo número: (11) 99147-5968. A estagiária jurídica Luciana da Silva Bruno Lima, de 34 anos, compartilhou com o Estado o seu problema. Ela contou que, no Terminal Casa Verde, por volta das 10h, entrou no ônibus e após 20 minutos o motorista avisou que o veículo não circularia. Ela não conseguiu seguir viagem ou recuperar o dinheiro que havia pago. "Fiquei indignada com a postura do motorista, do fiscal e do atendente. Não tive retorno e não recebi o valor de volta", disse pelo WhatsApp. 

Por volta das 15h, três linhas de trólebus faziam desvios e uma estava paralisada devido à manifestação na região central. Veja os desvios:

  • 2100/10 Term. Vl. Carrão – Pça. da Sé

    3160/10 Term. Vl. Prudente – Term. Pq. D. Pedro ll

    Desvio: normal até Rua da Figueira, Rangel Pestana, Rua Piratininga, Av. Alcântara Machado.

     

  • 2290/10 Term. São Mateus – Term. Pq. D. Pedro ll

    Desvio: normal até Rua do Gasômetro, Rua Jairo Góes, Av. Rangel Pestana.

     

  • 2002/10 Term. Pq. D. Pedro ll – Term. Bandeira

    Paralisada.

SPTrans informou que o sistema municipal de transporte público coletivo operava com 70% da frota de veículos para a faixa horária. No início da tarde, 22 linhas não estavam circulando.

Na zona norte, duas linhas estão paralisadas no terminal Casa Verde: a 9300/10 Term. Casa Verde - Term. Pq. D. Pedro II e 9301/10 Term. Casa Verde – Pça do Correio

Na Estação de Transferência Itaquera, também na zona leste, o movimento foi intenso, mas sem o registro de grandes filas. Passageiros habituais consideraram o movimento normal.

Mas isso não é exatamente uma coisa para se comemorar. "Esta é a demora de todos os dias. Às vezes ficamos uma hora esperando na fila", conta a operadora de caixa Valquiria Nogueira, de 53 anos.

Na zona leste, o dia começou sem grandes filas no Terminal Itaquera.  Para o taxista Uranísio Mendanha, que trabalha no local há 23 anos, a população estava mais preparada para a paralisação no transporte público.

"O problema é quando o pessoal é pego de surpresa como ontem (quinta-feira). Para a gente é bom, sempre aumentam as corridas no horário de pico, mas nada muito fora do normal."

Alguns passageiros relataram que apenas uma linha de ônibus que vai para a Estação Artur Alvim estava funcionando no início da manhã. Porém, o coletivo chegava lotado e muitos não conseguiam entrar e permaneciam no ponto.

Por volta das 6 horas, a professora Renata Carollo, de 38 anos, e o seu filho Fabrício, de 7, aguardavam o ônibus em direção à Penha, na Avenida Águia de Haia, na altura do número 3.834. Eles chegaram mais cedo, porém ficaram no ponto por mais de meia hora. Além do frio, havia o transtorno.

"Aqui, tem vezes que até em dias normais demora muito para o ônibus passar. Tem funcionário que falta e há carros quebrados. Os próprios motoristas reclamam", afirmou Renata. 

Por volta das 7 horas, os ônibus estavam circulando normalmente no Terminal Santo Amaro, na zona sul da capital. Entre 6 horas e 6h30, poucas filas se formaram, o que surpreendeu alguns passageiros. 

"Até estranhei, pensei que estaria mais difícil, mas estou achando que tem poucas pessoas. Aqui é sempre lotado. Acho que as pessoas estão paradas em outro lugar ou não foram trabalhar", diz o analista de logística Angelo Querino, de 45 anos.

De acordo com a leitora Bianca Boregio, os ônibus em direção ao Terminal Capelinha, na zona sul, estavam funcionando normalmente. "Inclusive estavam vazios", afirmou ela.

No centro, o Terminal Parque Dom Pedro II foi fechado pelos sindicalistas, segundo a Prefeitura, por volta de 8h20. Ainda segundo a administração municipal, os outros 29 terminais funcionam normalmente.  No Viaduto do Chá, motoristas e cobradores fazem um ato. 

Rodízio

A Companhia de Engenharia e Tráfego (CET) informou que a cidade registrou às 11 hpras 90 km de lentidão. Segundo a CET, o índice de lentidão ficou um pouco acima da média (57 a 72 quilômetros) na faixa de horário.

Também está suspensa a Zona Máxima de Restrição a Fretados e liberado uso gratuito das vagas de Zona Azul.

Já as faixas reversíveis seguem a operação normal nesta sexta, tanto no período da manhã, quanto no da tarde.

A Lime, empresa de aluguel de patinetes, informou que oferece três desbloqueios gratuitos para os usuários. Já o BikeSampa, sistema de bicicletas compartilhadas do Itaú, anunciou gratuidade para o plano diário de locação de bicicletas. Aplicativos de transporte particular também prometeram descontos aos usuários. 

Metrô e CPTM

Apesar da greve de ônibus na capital paulista, os trens da Companhia do Metropolitano (Metrô) e da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) funcionam normalmente na manhã desta sexta. As empresas anunciaram na tarde de quinta o aumento do efetivo para atender aos passageiros.

Negociação

Os integrantes do Sindicato dos Motoristas e Trabalhadores em Transporte Rodoviário Urbano (Sindmotoristas) e se reuniram para definir se haverá novas mobilizações.

"Estamos cumprindo a decisão da Justiça, mas vamos nos reunir para ver os próximos passos. A Prefeitura não se posicionou até o momento e é impossível aceitar essa situação", afirmou Valmir Santana da Paz, presidente do sindicato, que representa 55 mil profissionais.

A categoria é contra um suposto corte de 1.500 veículos da frota e de cobradores, além disso, cobra o pagamento da participação nos lucros e valores (PLR).

"Esse plano de redução de frota não pode dar certo. Em uma megalópole como São Paulo, Londres, Nova York, não é possível retirar ônibus e melhorar", opina Elidson Humberto, cobrador da Viação Grajaú, presente na paralisação.

O profissional argumenta que o movimento dos últimos dois dias na cidade deve ser visto pela população como uma luta coletiva e não apenas de uma categoria.

"Não estamos lutando apenas por nós. É por tudo. Já reduziram o tempo para integração do Bilhete Único. Cada vez querem retirar mais. Daqui a pouco vão cobrar R$ 10 na passagem em um serviço sem qualidade nenhuma. Olha há quanto tempo não investem em ampliação de linha", diz Humberto. 

O cobrador também questiona como as atuais medidas impostas pela Prefeitura podem contribuir a longo prazo. "Como é possível querer que a população deixe o carro em casa e use o transporte público assim?"

Nesta quinta-feira, 5, a Prefeitura conseguiu decisão favorável junto ao Tribunal Regional do Trabalho (TRT) para que 70% da frota funcione nos horários de pico (das 6 horas às 9 horas e das 16 horas às 19 horas) e 50% nos demais horários sob pena de multa de R$ 100 mil por dia em caso de descumprimento.

O prefeito Bruno Covas (PSDB) declarou nesta sexta-feira que os contratos da megalicitação de ônibus de São Paulo tiveram a duração modificada de 20 para 15 anos. Em entrevista à Rádio Eldorado, ele disse que o Município pretende conseguir todas as assinaturas para publicar a mudança já neste sábado, 7, e, assim, deixar de operar com contratos de emergência.

ANA LUIZA LOURENÇO, ANA PAULA NIEDERAUER, FELIPE CORDEIRO, PALOMA COTES, PAULA FELIX,  PRISCILA MENGUE, RENAN FERNANDES, RENATA OKUMURA, RENATO VASCONCELOS E TABA BENEDICTO

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