Greve de motoristas e cobradores de São Paulo prejudica 1 milhão de usuários

Problemas começaram nas garagens; pela manhã, houve paralisação de 11 delas, de cinco empresas concessionárias

Laura Maia de Castro, O Estado de S. Paulo

21 Maio 2014 | 16h45

Atualizada às 23h02

SÃO PAULO - O segundo dia de paralisação dos motoristas de ônibus de São Paulo atingiu 21 dos 28 terminais de ônibus paulistanos e prejudicou 1 milhão de usuários, de acordo com informações da São Paulo Transporte (SPTrans). 30% das 1,3 mil linhas foram afetadas, o que corresponde a 2,4 mil ônibus. Os problemas começaram nas garagens. Pela manhã, houve paralisação de 11 delas, de cinco empresas concessionárias: Santa Brígida (2), Sambaíba (4), Gato Preto (2), Via Sul (2) e VIP (1).

Essas empresas detêm 62% da frota. Dados do sindicato patronal das operadoras de ônibus de São Paulo (SPUrbanuss) mostram que, dos 8.350 veículos operados pelas concessionárias em março, 5.226 pertencem a Santa Brígida (832 coletivos), Gato Preto (439), Sambaíba (1.285), Via Sul (808) e VIP (1.862). Essas empresas operam nas zonas oeste, norte, sul e central. Em março, por dia, elas transportaram juntas 3.338.663 passageiros em média, de um total de 5.469.794.

Pela manhã, o movimento se concentrou nas zonas norte e noroeste. Até o fim da manhã, mais terminais foram sendo parados, como o João Dias, na zona sul; o Expresso Tiradentes, na zona leste; e o Dom Pedro II, no centro. Nos pontos só passavam os micro-ônibus pertencentes a cooperativas. Até os ônibus intermunicipais tiveram problemas.

Às 11 horas, motoristas e cobradores estacionaram seus ônibus e os deixaram vazios nos corredores de ônibus da Avenida Brigadeiro Faria Lima, sentido Pinheiros; Avenida Rebouças, sentido bairro; Avenida Eusébio Matoso, sentido centro; e Rua Butantã, sentido único. Na Faria Lima, uma faixa de veículos também foi ocupada. A mesma estratégia foi adotada em outros pontos da capital.

Pela manhã, a lentidão na cidade chegou à média de 86,8 km - o normal para o horário é de 64 km. À tarde, mais congestionamentos: as filhas chegaram a 194 km às 18h30 - o recorde é de 300 km. Só a Marginal do Tietê registrava 13,7 km de filas na pista expressa, da Ponte Cruzeiro do Sul até a Castelo Branco

Palhaço. Motoristas e cobradores de ônibus que aderiram à paralisação vestiram nariz de palhaço logo de manhã no Terminal Lapa, na zona oeste de São Paulo, o único que amanheceu bloqueado por ônibus.

Alguns deles, como Gilberto Cardoso, de 45 anos, estavam no local desde as 4h. "Nenhum representante (do sindicato dos motoristas) veio falar conosco. O nosso aumento, sem contar a inflação, é de apenas 2,4%", disse. "Há muito tempo é essa palhaçada. Sentimos muito pela população, mas a greve é necessária", disse outro motorista.

Os passageiros tiveram de improvisar, usando táxis e indo a pé.

À noite. Os problemas continuaram à noite. Apenas os micro-ônibus circulavam no Terminal Barra Funda, na zona oeste. Enquanto as paradas de ônibus estavam vazias, as filas para conseguir espaço nas peruas estavam maiores do que o normal. Muitos tiveram de improvisar. "Hoje, tive de pegar metrô e van, que me deixa longe da minha casa", afirmou Thais Souza, assistente administrativa de 26 anos. "Ainda vou ter de caminhar uns 20 minutos."

Já a analista de crédito Gisele Santos, de 25 anos, repetia o mesmo trajeto que fez na terça. "Ontem, demorei duas horas para chegar, o dobro do que ocorre normalmente."

No Terminal Lapa, os ônibus começaram a sair em direção às garagens às 20h30. Mas só voltarão a operar normalmente na madrugada de hoje. Ali, o comprador Paulo Eduardo, de 29 anos, aguardava uma van há cerca de meia hora para levá-lo ao Peri. "Está sofrido voltar para casa."  / COLABORARAM CAIO DO VALLE, LUIZ FERNANDO TOLEDO e MÔNICA REOLOM

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