Greve de metroviários e chuva fazem lentidão bater recorde na capital

Foram 239 km de congestionamento de manhã. À tarde, paulistano mudou horários, estendeu o rush e trânsito ficou abaixo da média

Adriana Ferraz, Bruno Ribeiro, Mônica Reolom, O Estado de S. Paulo

06 de junho de 2014 | 21h08

SÃO PAULO - Com chuva e mais da metade das estações fechadas, a capital paulista registrou 239 km de lentidão, às 10h desta sexta-feira, 6, recorde do ano no pico da manhã. Mesmo com a abertura gradativa de estações - 27 das 61 ficaram de portas fechadas -, não houve melhora nas filas e estendeu-se o rush. “É como se todo mundo tivesse saído atrasado de casa”, explicou o engenheiro de trânsito Flamínio Fichmann. 

Na quinta-feira, 26 estações permaneceram fechadas. E o Metrô transportou apenas 40% dos passageiros que costumam utilizar o sistema em dias normais. Segundo a Secretaria Estadual de Transportes Metropolitanos, cerca de 1,8 milhão de usuários utilizaram a rede sobre trilhos, incluindo as Linhas 4 e 5, que operaram normalmente. Em dias normais, são levados 4,6 milhões de passageiros. Para efeito de comparação, os ônibus da São Paulo Transporte (SPTrans) levam 4,5 milhões de passageiros em dias úteis.

Dessa forma, a greve prejudica diretamente 2,7 milhões de passageiros - o total de afetados, porém, pode chegar a 4 milhões. Foi o caso da analista Beatriz Almeida, de 19 anos, que pela primeira vez resolveu trabalhar de carro e levou três horas para percorrer o trecho entre a Vila Guilhermina e a Estação Carrão, da Linha 3-Vermelha, pela Radial Leste. 

“Ontem (sexta-feira), foram quatro horas no trânsito. Hoje, mais três horas e a manhã ainda nem acabou. Não esperava isso. Viver em São Paulo está impossível”, disse o autônomo Jackson dos Santos, de 40 anos, que também ficou parado na Radial. 

Quando soube que poderia demorar até quatro horas para chegar ao Jabaquara, na zona sul, a dona de casa Julia dos Santos, de 60 anos, desistiu de ir à consulta do pneumologista que havia marcado. “Não tem condições. Essa greve é um absurdo”, disse a moradora da zona norte.

Passeata. A Radial Leste ainda ficou interditada no sentido bairro por cerca de 30 minutos ontem, no horário de pico da noite, durante uma manifestação em apoio à greve dos metroviários. Segundo a Polícia Militar, cerca de 200 pessoas participaram do ato, que começou por volta das 17h na frente da Estação Tatuapé da Linha 3.

O grupo seguiu em marcha pela via por cinco quarteirões, até a sede do sindicato da categoria, na Rua Serra do Japi, escoltado pela PM, e em clima de tensão. Havia entre os manifestantes faixas com bandeiras da USP e integrantes do núcleo do Movimento Passe Livre (MPL), que iniciou os protestos de junho de 2013. Eles foram apoiar a proposta de catraca livre.

Ao se aproximar do destino, na sede do sindicato, cinco viaturas da Força Tática do 8.º Batalhão da PM perfilaram-se na via para dispersar a marcha. Os sindicalistas, contudo, seguiram para dentro do prédio da entidade. Alguns estudantes provocaram a polícia e se queixaram das agressões na Estação Ana Rosa (mais informações na página D4). Houve bate-boca entre um tenente da PM e uma dirigente sindical, mas a marcha terminou sem confronto. 

Sem trânsito. O temor de ficar novamente preso no congestionamento fez o paulistano alterar os horários, o que reduziu os índices de congestionamentos. Às 19h, a cidade tinha 139 km de lentidão. A média para o horário é de 223 km. Uma hora depois, havia só 59 km de filas.

Mesmo assim, quem estava nos pontos de ônibus e estações teve de improvisar. Na Estação Bresser-Mooca do metrô, esperando na fila por um coletivo que seguiria para Artur Alvim, na zona leste, a técnica de enfermagem Rita de Cássia, de 42 anos, comentava a alteração no trajeto. “Demoro 1h10 e levei 3 horas”, afirmou. Já Luana Araújo, estudante de 18 anos que mora em Aricanduva, zona leste, havia desistido de ir à faculdade no Mackenzie, na região central. “Perdi uma prova ontem (quinta-feira) e hoje (sexta-feira) meu pai prejudicou o trabalho dele para me levar. E eu ainda cheguei duas horas atrasada por causa do trânsito”, afirmou. /COLABORARAM LAURA MAIA DE CASTRO e BÁRBARA SANTOS

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