Greve da PM leva Força Nacional às ruas da Bahia

Estado também pediu ajuda ao Exército, após relatos de tumulto por causa da paralisação; comércio fechou mais cedo

TIAGO DÉCIMO / SALVADOR, O Estado de S.Paulo

03 de fevereiro de 2012 | 03h04

Estava prevista para ontem à noite a chegada a Salvador de 150 homens da Força Nacional - e de mais 500 nas próximas 48 horas. O governo da Bahia pediu também que o Exército reforce a segurança no Estado, por causa da paralisação parcial da Polícia Militar, iniciada na terça, por melhores salários.

De acordo com o secretário de Segurança Pública da Bahia, Maurício Barbosa, dois terços do efetivo da PM no Estado trabalham normalmente, mas há relatos de paralisação das ações policiais, com consequências como vandalismo e arrastões, em algumas grandes cidades, como Ilhéus, no litoral sul do Estado, e Feira de Santana, segundo maior município baiano, a 110 quilômetros de Salvador. O comando da Polícia Militar informou ter enviado reforços para a segurança dos dois municípios.

"Nossa intenção é reforçar a sensação de segurança, uma vez que a PM está nas ruas e apenas uma minoria promove atos de vandalismo", afirma o secretário. "A presidente (Dilma Rousseff), em entendimento com o governador, deixou claro que vão ser enviados quantos homens forem necessários para restabelecer a sensação de segurança. A Bahia será tratada como caso exemplar."

Em Salvador, ameaças de arrastões levaram lojistas do centro da cidade a encerrar as atividades mais cedo. O trânsito em algumas das principais avenidas da capital baiana, como a Paralela - a mais movimentada de Salvador - e a Octávio Mangabeira, na orla da cidade, foi bloqueado, supostamente por policiais grevistas, à tarde, causando congestionamentos em vários pontos.

Tomada de ônibus coletivos. Para realizar o bloqueio das vias, homens armados tomaram ônibus coletivos e os atravessaram nas pistas. Os cerca de 2 mil filiados à Associação de Policiais e Bombeiros e de seus Familiares do Estado da Bahia (Aspra), do universo de 32 mil PMs e bombeiros da ativa no Estado, decidiram paralisar as atividades para cobrar do governo a incorporação de gratificações aos salários, além de regulamentação para o pagamento de adicionais, como de periculosidade e acidente.

As outras associações de classe ainda não aderiram à paralisação. O Comando-Geral da PM diz não reconhecer a Aspra como entidade de classe.

Liminar. Na manhã de ontem, o juiz da 6.ª Vara da Fazenda Pública da Bahia, Ruy Eduardo Almeida Brito, acolheu requerimento do Estado e determinou que os integrantes da associação suspendam a paralisação. A liminar prevê multa de R$ 80 mil por dia para a associação, em caso de descumprimento.

O presidente da Aspra, Marco Prisco, afirma não ter recebido a determinação judicial, mas diz que a liminar não prejudicará o movimento grevista e o departamento jurídico da entidade foi acionado "para tomar as providências necessárias".

Em nota, o governador Jaques Wagner (PT) disse que vai usar "medidas enérgicas" para defender "os interesses maiores". "Não admitirei que a segurança da população seja colocada em risco por um pequeno grupo de pessoas, ainda mais porque essas desconsideraram a decisão judicial que considerou a greve ilegal", diz o texto.

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