Felipe Rau/ Estadão
Felipe Rau/ Estadão

Greve na CPTM atinge 4 das 6 linhas e afeta Grande São Paulo

Segundo secretário, 500 mil passageiros são prejudicados; duas pessoas foram presas na Estação Francisco Morato por vandalismo

Juliana Diógenes e Rafael Italiani, O Estado de S. Paulo

03 Junho 2015 | 08h10

Atualizado às 11h45

SÃO PAULO - A greve dos funcionários da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) atinge quatro das seis linhas da Grande São Paulo na manhã desta quarta-feira, 3, segundo o secretário estadual dos Transportes Metropolitanos, Clodoaldo Pelissioni. Em Francisco Morato, dois usuários foram detidos ao tentar invadir e depredar uma estação. 

"Temos hoje (quarta-feira) duas linhas funcionando normalmente e duas linhas operando facilmente. Estamos conseguindo operar dois terços do sistema. Ontem (terça-feira, 2) atendemos mais de 1,4 milhão de pessoas e hoje um pouco mais de 900 mil pessoas estão sendo atendidas normalmente. Assim, 500 mil pessoas estão sendo diretamente prejudicadas", disse o secretário. 

O governo do Estado aumentou a frota de ônibus da Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos (EMTU). A Secretaria dos Transportes Metropolitanos solicitou a prefeituras da capital e da Grande São Paulo o aumento das linhas dos coletivos que servem as regiões próximas aos trens. Em São Paulo, a CPTM não recorreu ao Plano de Atendimento entre Empresas de Transporte em Situação de Emergência (Paese).

Vandalismo. De acordo com Pelissioni, dois homens foram detidos na Estação Francisco Mourato, na Grande São Paulo, por depredação ao patrimônio público. A dupla teria tentado quebrar o muro da estação para invadi-la.

Ainda de acordo com o secretário, a ação não deixou feridos e teve a adesão de mais quatro pessoas - a polícia usou bomba de gás lacrimogêneo para dispersá-las. Pelissioni descartou que tenha havido um "quebra-quebra generalizado" e disse que o caso foi isolado. 

"Um cidadão incitou o derrubamento dos muros do lado externo. Ele está sendo ouvido na delegacia. Temos as imagens das estações e o movimento foi totalmente resolvido", afirmou o secretário.

Uma equipe de manutenção da CPTM está no local para fazer a reposição do muro e o conserto das placas. "Apesar de ser considerada por muitos como cidade-dormitório, a CPTM é muito importante para Morato", declarou Pelissioni, que estimou que 30 mil pessoas utilizem os trens na cidade.

Outro incidente na manhã desta quarta-feira ocorreu na Linha 11-Coral, que opera parcialmente, com restrição entre Guaianases e Luz. O início do funcionamento das estações da CPTM é às 4 horas, mas a circulação dos passageiros só foi liberada às 5h30. De acordo com Pelissioni, houve dificuldade em repor os bilheteiros.

Almoço pelo transporte. Os moradores de cidades da Grande São Paulo que dependem do serviço de trens foram os mais prejudicados pela paralisação dos funcionários da CPTM. O técnico de manutenção José Antonio dos Santos, de 59 anos, perdeu tempo e dinheiro. Morador de Itaquaquecetuba, na região do Alto Tietê, e usuário da Linha-11 Coral, ele precisou desembolsar R$ 10,80 para pegar um ônibus rodoviário e descer no Terminal Tietê, na zona norte de São Paulo.

"Gastei o dinheiro de um almoço para trabalhar. Se eu falto, descontam do meu salário ou fazem eu ter que trabalhar no feriado."

Santos trabalha ao lado da Estação Faria Lima, da Linha 4 Amarela do Metrô. Em dias normais, costuma levar, no máximo, 1h30 para chegar. Na manhã desta quarta-feira, por volta das 11h, ele já estava duas horas atrasado no trabalho.

Já a esteticista Gabriela Milan, de 28 anos, desistiu de ir trabalhar. Ela mora em Santo André, no ABC paulista, e encontrou a Linha-10 Turquesa da CPTM fechada pela manhã.

"Tive que ir de ônibus até São Mateus, peguei muito trânsito e quando cheguei na Sé estava três horas atrasada", afirmou. Em dias se paralisação o caminho dela é simples. Da linha que corta o ABC ela desce na estação Tamanduateí do Metrô, faz baldeação e desembarca na Avenida Paulista. Hoje, às 14h, os sindicatos fazem uma nova assembléia para definir os rumos da greve.

Linhas afetadas. Não circulam os trens das Linhas 10-Turquesa (Brás-Rio Grande da Serra) e 12-Safira (Brás-Calmon Viana). A 7-Rubi  (Luz-Jundiaí) e a 11-Coral (Luz-Estudiantes) funcionam parcialmente. Na Linha 7-Rubi, a região de Jundiaí, ponto de partida, foi uma das mais afetadas: os trens operam da Estação Caieiras até a Palmeiras-Barra Funda. Do total de 18 estações, a circulação ocorre em dez. 

O funcionamento parcial da Linha 11-Coral, que na manhã desta quarta-feira restringe a operação de Guianases à Luz, teve impacto principalmente para moradores de Mogi das Cruzes e Suzano. Das 16 estações, sete estão em funcionamento, menos da metade. As Linhas 8-Diamante e 9-Esmeralda operam normalmente.

A São Paulo Transporte (SPTrans) informou que, na capital, haverá reforço nas linhas de ônibus que circulam por ramais atendidos pelos trens da companhia. De acordo com a CPTM, uma viagem de trem transporte o equivalente a 50 viagens de ônibus e, por isso, a Operação Paese não seria aplicável.

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