Greve afetará 60 postos do Brasil no exterior

Paralisação hoje atinge algumas das principais representações diplomáticas do País, incluindo Paris, Roma, Londres, Nova York e Washington

LISANDRA PARAGUASSU / BRASÍLIA GUSTAVO CHACRA / NOVA YORK, O Estado de S.Paulo

19 de junho de 2012 | 03h03

Pela primeira vez em sua história, o Itamaraty enfrenta, a partir de hoje, uma greve de servidores. Oficiais e assistentes de chancelaria e até alguns diplomatas, de acordo com o sindicato da categoria, decidiram pela paralisação ontem. A assembleia, realizada em Brasília, contou com a participação, via redes sociais, de funcionários de fora do País.

Pelo menos 60 postos no exterior, incluindo os de Paris, Roma, Londres, Nova York, Los Angeles e Washington, serão afetados. Às vésperas das férias de julho, o problema pode atingir diretamente milhares de brasileiros que devem viajar para o exterior e os estrangeiros que desejam vir ao Brasil. Uma das poucas atividades que não serão prejudicadas pela greve é a organização da Conferência Rio +20, conforme decisão tomada na assembleia.

Em comunicado no site, o Consulado do Brasil em Nova York, considerado o de maior movimento no mundo, já adiantou "não ter condições de prever o prazo de entrega dos pedidos de documentos apresentados a partir de 19 de junho". Tampouco "poderá receber pedidos de visto, exceto para a Rio+20, que serão processados normalmente".

Os oficiais e os assistentes de chancelaria são, normalmente, os responsáveis pelas funções administrativas de embaixadas e consulados. Esse trabalho inclui o atendimento direto ao público, o serviço telefônico das unidades consulares e até mesmo a emissão de novos passaportes - que, apesar de ser autorizada pelos diplomatas, passa pelas mãos dos oficiais. O Itamaraty admite que, durante o período da greve, o trabalho poderá ficar mais lento.

Em carta enviada no dia 14 ao ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, os servidores informavam sobre a possibilidade de greve e destacavam suas reivindicações, que estão sendo negociadas com o Ministério do Planejamento. Até agora, no entanto, não houve nenhum sinal positivo. Os servidores já haviam feito uma paralisação no dia 30 de maio e mandaram uma carta para a presidente Dilma Rousseff, mas as negociações não avançaram. A greve é por tempo indeterminado e nova assembleia foi marcada para sexta.

De acordo com o SindItamaraty, que representa todas as categorias de servidores do chamado Serviço Exterior, o que os funcionários querem é a equiparação com os salários mais altos das carreiras de Estado, além de outras reivindicações trabalhistas. Os maiores aumentos seriam para os oficiais e assistentes. Os primeiros, que hoje recebem inicialmente R$ 6,3 mil, passariam para a segunda categoria de vencimentos de nível superior do governo federal, R$ 12.960. Os assistentes passariam à primeira categoria dos cargos de ensino médio, saindo de um salário de R$ 3,1 mil para R$ 5,8 mil.

Circular. Uma das preocupações trabalhistas envolve circular enviada pelo Ministério das Relações Exteriores na semana passada aos Estados Unidos. Trecho fala em "revisão do número de funcionários contratados locais". Grevistas argumentam que seria o equivalente a pedir a demissão de empregados.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.