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Gravura rara do século 19 volta para a Mário de Andrade

Obra de naturalistas alemães estava entre 195 que foram roubadas da biblioteca e foi recuperada pela PF

Vitor Hugo Brandalise, O Estado de S.Paulo

20 Janeiro 2011 | 00h00

A Biblioteca Mário de Andrade, uma das mais importantes do País, recuperou uma das gravuras do século 19 furtadas em 2006 da área mais restrita de seu acervo de obras raras. Trata-se da gravura Lavagem de diamantes em Curralinho, retirada de álbum dos naturalistas alemães Johann Baptist Von Spix e Carl Friedrich Von Martius, publicado em 1823. A imagem foi recuperada no fim do ano passado pela Polícia Federal do Rio.

Das cerca de 195 obras - gravuras e livros raros - furtadas de uma sala da torre que guarda a maior parte do acervo, aproximadamente cem já foram recuperadas. Continuam desaparecidas gravuras de artistas como Rugendas, Debret e Burmeister, além de edições raras de obras literárias como O Cortiço, de Aluísio de Azevedo, publicada em 1890.

Atualmente, a gravura recuperada passa por restauro antes de ser reincorporada ao álbum Atlas zur Lindauer, do qual faz parte. "Recuperar uma obra rara é sempre importante. Um dos orgulhos da biblioteca é ter uma coleção extensa dos trabalhos dos "viajantes" (expedicionários que vieram estudar o Brasil) como os autores do álbum", disse o supervisor de acervo da Mário de Andrade, William Okubo. "A maior parte das obras recuperadas vem por indicação de colecionadores, que percebem algo errado com uma compra. Nesse caso, recebemos ligação da Polícia Federal do Rio, mas não especificaram como ela foi descoberta." Questionada, a PF não informou detalhes da recuperação.

Entre as outras obras raras reavidas até aqui estão uma edição de 1881 de Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis, e outra, de 1889, da obra As Primaveras, de Casemiro de Abreu. A maior parte foi recuperada pela PF do Rio, ou pela Polícia Civil de São Paulo.

Logo após a descoberta do furto, a segurança em algumas salas da torre da biblioteca foi reforçada. Atualmente, com a reforma que se encerra na próxima semana - a reinauguração da Mário de Andrade está marcada para o dia 25-, todas as portas que dão acesso a obras raras têm travas eletrônicas com senha.

Falta. O furto foi percebido pela antiga direção da Mário de Andrade após pedido de uma produtora para usar três gravuras - que não foram encontradas. Após atualizar o inventário, a direção entendeu a extensão do furto. A Polícia Civil indiciou um ex-estagiário da Mário de Andrade, Ricardo Pereira Machado, um restaurador, José Camilo dos Santos, Erivaldo Nunes, cunhado de Santos flagrado com 61 obras, e Laéssio Rodrigues Oliveira. Todos chegaram a ser detidos. O caso corre na Justiça.

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