Grávida tem morte cerebral confirmada

Família doa órgãos de Daniela de Oliveira, que foi baleada em assalto; bebê deixa UTI

WILLIAM CARDOSO, O Estado de S.Paulo

11 Janeiro 2013 | 02h02

A assistente administrativa Daniela Nogueira de Oliveira, de 25 anos, teve ontem a morte cerebral confirmada pelos médicos do Hospital Municipal do Campo Limpo, na zona sul de São Paulo, depois de ser baleada durante uma tentativa de assalto na noite de terça-feira, quando chegava em casa. A vítima estava grávida de nove meses - os médicos fizeram uma cesariana e conseguiram salvar a criança. A polícia procura agora o suspeito que fez o disparo e divulgou ontem um retrato falado dele.

Daniela entrou em coma depois de levar um tiro na cabeça e era mantida viva com a ajuda de aparelhos. "Os médicos fizeram um procedimento por três vezes para ver se ela reagiria ou não. Foi uma bateria de exames", disse o cunhado da vítima, o professor Gilcemar Araújo de Oliveira, de 23 anos. A confirmação da morte aconteceu às 15h08, 42 horas depois de Daniela ter sido levada ao hospital.

O cunhado disse que a família autorizou a doação dos órgãos. O procedimento de retirada duraria cerca de sete horas e, por isso, o corpo da assistente administrativa permanecia ligado aos aparelhos até a noite de ontem. Oliveira também afirmou que a família está indignada com o crime e espera justiça. "A gente não sabe se volta para casa, porque pode ser surpreendido por um bandido a qualquer momento."

A filha de Daniela, Gabriela, que nasceu com 2,2 quilos, deixou ontem a unidade de terapia intensiva do hospital e deve receber alta até amanhã. Segundo Oliveira, a criança deverá ficar com a família paterna em um primeiro momento.

Protesto. Pessoas que conheciam a assistente administrativa foram ontem à tarde até o hospital para prestar solidariedade à família. A professora Marisa dos Santos Alves Ferreira, de 52 anos, que foi vizinha de Daniela, a conhecia desde a infância. "Ela dava aula de catequese. Casou e planejou ter essa filha", disse. "Agora, essa criança não vai ter o direito de ser amamentada pela mãe, por causa de um marginal."

O marido de Daniela, o gerente Josemar Araújo de Oliveira, de 26 anos, estava bastante abalado, segundo familiares, e preferiu não se manifestar.

No início da noite, moradores do Condomínio Horto do Ypê, onde a assistente morava e foi assassinada, realizaram um protesto contra a violência (leia mais ao lado).

Investigação. Baseado no depoimento de uma testemunha, a Polícia Civil fez ontem um retrato falado do criminoso que disparou contra a assistente - o comparsa dele não foi identificado. Durante a tarde, recebeu também uma denúncia anônima que apontava o local onde estaria o acusado - em uma favela próxima ao condomínio

Os policiais montaram campana no local, mas não conseguiram chegar ao autor do crime. Além do retrato falado, imagens do circuito de vigilância de um condomínio vizinho também têm sido usadas na investigação.

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