Grávida é presa por não pagar pensão

Desempregada e às vésperas do nascimento do segundo filho, jovem de Taubaté foi detida ao se apresentar para explicar atrasos

GERSON MONTEIRO , ESPECIAL PARA O ESTADO , TAUBATÉ, O Estado de S.Paulo

10 de maio de 2012 | 03h03

Uma jovem de 20 anos, grávida de 9 meses, foi presa nesta semana em Taubaté, no Vale do Paraíba, por não pagar pensão a uma filha de 4 anos que vive com o ex-marido. Suellen dos Santos foi detida ao se apresentar na delegacia, depois de ser intimada pela Justiça de Taubaté, em mandado expedido pelo juiz Gustavo de Campos Machado. Na sentença, é apontada uma dívida de R$ 613,31, referente aos meses de julho/2011 a janeiro/2012.

Desempregada e já sentindo as contrações, Suellen só foi liberada após pagar todos os meses em atraso. "Juntamos o dinheiro que tínhamos de contas, emprestamos do patrão da minha mãe, vizinhos, foi uma loucura", comenta a cunhada Elidamaris Carpinetti da Silva Ferreira.

Suellen, que vive em um quarto simples, só com colchões no chão, divide espaço com a sogra e o atual marido, que está preso por porte ilegal de armas. No espaço, o berço aguarda o menino que deve nascer em uma cesárea marcada para hoje.

Suellen afirma que, no início do processo de separação, há dois anos, pagava a pensão mensalmente. "Nos primeiros meses, dava o que podia, sempre entregava o dinheiro direto para ele, nem fazia recibo. Mas, como estava desempregada, parei de pagar", diz a jovem. "Não imaginava que ele entraria na Justiça. Nunca me neguei a pagar."

A balconista só ficou sabendo do processo movido pelo ex-marido após comparecer ao distrito. No período em que ficou detida, afirma ter sido bem tratada. "Mas foi uma experiência terrível. Você não dever nada para a Justiça e ficar presa."

Identificado apenas pelo nome de Gabriel, o ex-marido é vigilante de banco e ganhou a guarda da filha depois que Suellen afirmou não ter condições de criar a criança. "Ela nem vê a menina", diz a cunhada.

Vivendo de favor com a sogra e a cunhada, Suellen passou a quarta-feira atendendo a imprensa e ainda não constituiu advogado para defendê-la. Segundo a jovem, a Justiça estipulou uma pensão mensal no valor de R$ 81.

Outro lado. Segundo informações prestadas pela Justiça de Taubaté, a jovem foi intimada no mês de novembro a se manifestar sobre o pagamento da pensão. Ela teria deixado transcorrer o prazo de manifestação e o ex-marido reiterou o pedido de prisão pela falta de pagamento.

A Justiça afirmou ainda que em nenhum momento recebeu a informação sobre a gravidez de Suellen. Ontem, o caso passou a correr em segredo de Justiça.

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