Grávida é presa em Taubaté por não pagar pensão

Mulher, de 20 anos, está desempregada e disse que não sabia do processo na Justiça

Gerson Monteiro - Especial para o Estado de S. Paulo,

09 de maio de 2012 | 17h14

Atualizado às 17h41.

TAUBATÉ- Uma jovem de 20 anos, grávida de 9 meses, foi detida esta semana em Taubaté, no Vale do Paraíba, por não pagar pensão a uma filha de 4 anos que vive com o ex-marido. Suellen dos Santos foi detida ao se apresentar na delegacia depois de ser intimada pela Justiça de Taubaté, em mandado expedido pelo juiz Gustavo de Campos Machado. Na sentença o juiz aponta uma dívida de R$ 613,31,

referente aos meses de julho de 2011 a janeiro deste ano.

Desempregada e já sentindo as contrações, Suellen só foi liberada após pagar R$ 884 ao ex-marido, referente a todos os meses em atraso. "Juntamos o dinheiro que tínhamos de contas, emprestamos do patrão da minha mãe, vizinhos, foi uma loucura", comenta a cunhada Elidamaris Carpinetti da Silva Ferreira.

Suellen, que vive em um quarto simples, apenas com colchões ao chão, divide espaço com a sogra e o atual marido, que está preso por porte ilegal de armas. No espaço o berço aguarda o menino que está para nascer de parto cesárea na manhã desta quinta-feira, 10, fruto do segundo casamento.

Suellen afirma que no início da separação, há dois anos, pagava a pensão mensalmente. "Nos primeiros meses eu dava o que podia, mas como estava desempregada parei de pagar, mas sempre entregava o dinheiro direto a ele, nem fazia recibo", diz.

Ela disse que só ficou sabendo do processo movido pelo ex-marido após comparecer à delegacia. Durante o período em que ficou detida, Suellen afirma ter sido bem tratada.

Identificado apenas pelo nome de Gabriel, o ex-marido é vigilante de agência bancária e recebeu a guarda da filha depois que Suellen afirmou não ter condições de criar a menina.

Vivendo de favor com a sogra e a cunhada, Suellen ainda não constituiu advogado para defendê-la. Segundo a jovem, a Justiça estipulou uma pensão mensal no valor de R$ 81.

Outro lado. Segundo informações prestadas pela Justiça de Taubaté, a jovem foi intimada no mês de novembro de 2011 a se manifestar pelo pagamento da pensão ou justificar o motivo pelo não pagamento. Ela teria deixado transcorrer o prazo de manifestação e o ex-marido reiterou o pedido de prisão pela falta de pagamento.

A Justiça afirmou ainda que em nenhum momento recebeu a informação sobre a gravidez de Suellen.

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