Granja Julieta protesta contra verticalização

Moradores de bairro nobre da zona sul querem parque linear no lugar de construção de 6 torres; empreendimento teve autorização da Prefeitura

Diego Zanchetta, O Estado de S.Paulo

21 de maio de 2010 | 00h00

Moradores da Granja Julieta, bairro nobre da zona sul de São Paulo, estão mobilizados contra a construção de seis torres residenciais em um terreno que seria transformado em parque linear. Com faixas, fotos do Córrego Maria Joaquina e camisetas em favor do parque, cerca de 80 moradores protestaram ontem à tarde na frente do futuro Jardim de Provence.

Após ter o pedido de alvará indeferido em dezembro pela Secretaria do Verde, o empreendimento ganhou autorização em fevereiro e já colocou os 96 apartamentos de até 214 m² à venda. O governo municipal argumenta ter feito uma investigação geológica no terreno, onde os moradores dizem que existia o Córrego Maria Joaquina. É nesse espaço de quase 20 mil m² que havia a reivindicação do bairro para a construção de um parque linear. Após dois meses de análises, porém, técnicos da Secretaria da Habitação e do Verde dizem ter constatado que não havia nenhum curso d"água no local e, por isso, o empreendimento da Esser New York foi liberado.

Mas os moradores da Rua Alceu Maynard Araújo afirmam que técnicos da Subprefeitura de Santo Amaro chegaram a conversar com eles, em setembro de 2008, sobre a implementação do parque no terreno onde será erguido agora o condomínio. Os moradores também têm fotos que mostram um córrego que passava em 2008 ao lado do muro do futuro conjunto. "Foi aterrado pela empreiteira logo que a Prefeitura informou que poderia fazer ali um parque linear. Foi um crime ambiental. Essa área das torres sempre ficava alagada durante as chuvas. Como não havia córrego?", questiona Rosália Dornelles, de 67 anos, moradora há três décadas no bairro.

Conflito. A polêmica também chegou ao Ministério Público Estadual e à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) das Enchentes da Câmara Municipal. Os vereadores Gilberto Natalini (PSDB) e Adilson Amadeu (PTB) pediram que a Secretaria de Habitação reveja a concessão de alvará à obra. A Secretaria do Verde, por sua vez, diz que foi aberto apenas um protocolo para investigar as possíveis áreas da cidade que poderiam virar parques. Como foi constatada a inexistência do córrego no terreno da Granja Julieta, a área não foi transformada em parque. O governo diz ainda que não houve aterramentos na região e o caso reflete apenas a reclamação de vizinhos do Condomínio Champs Elysées, cuja vista para uma área verde, a Praça Leon Feffer, vai desaparecer com a construção do Jardim de Provence. Presente no protesto, o advogado Maurício Ozi, da Esser, deu a mesma justificativa. / D.Z.

FICHA TÉCNICA

Conjunto será construído na Rua Alceu Maynard Borges, ao lado da Praça Leon Feffer

Número de torres 6

Área do terreno 10.068 m2

Pavimentos por torre 8

Número total de apartamentos 136

Dormitórios por apartamento 4

Área dos apartamentos de 121 a 214m2

Vagas de estacionamento por apartamento até 4

Preço mínimo R$ 600 mil

Preço máximo R$ 1,5 milhão

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