Johann Remlingers/Studio Entre Rios
Johann Remlingers/Studio Entre Rios

Granizo destrói centenas de casas no Sul

Mas meteorologistas dizem que fenômeno climático é normal para esta época do ano

Valéria França, Lucas Azevedo e Solange Spigliatti, O Estado de S.Paulo

17 de novembro de 2010 | 00h00

O temporal de granizo que atingiu o sul de Minas Gerais, o Rio Grande do Sul e o Paraná, no feriado, deixou um grande um rastro de estragos. Os prejuízos foram maiores no território gaúcho, que contabilizou 660 desabrigados, 995 residências danificadas e 10 escolas desativadas. Entre os 14 municípios gaúchos mais atingidos, Vacarias teve 300 casas danificadas. A chuva ainda causou danos à agricultura.

No Paraná, o temporal levou à desativação do Hospital Semmelweiss, em Guarapuava. Segundo a Defesa Civil do Estado, o excesso de pedras de gelo causou sérias infiltrações e os pacientes tiveram de ser transferidos. Houve ainda o desabamento de um posto de gasolina.

Já em São Paulo a chuva começou na noite de anteontem e se prolongou durante todo o dia de ontem, com intensidades que variavam da garoa aos pingos mais fortes. Mas, segundo a Climatempo, não choveu mais do que o normal para esta época do ano - cerca de 21,6 milímetros. O céu nublado e a umidade baixaram a temperatura, que não passou dos 26,3 graus na capital.

Trânsito. Para os paulistanos, o maior problema foi o trânsito, que ficou mais lento. Às 9h30 de ontem, o pico de congestionamento chegou a 130 quilômetros, o dobro da média do horário, longe, porém, de ser o recorde do ano - 163 km, em 25 de fevereiro. No fim da tarde, a média caiu para 80 km de lentidão. Quem se deu mal foi o motorista que estava na região sul da cidade, próximo das Avenidas Engenheiro Luís Carlos Berrini e Bandeirantes. Nesses pontos, a lentidão foi quatro vezes maior que a média às 18h30.

Por que tanta chuva? "Um ar quente e úmido vindo do norte do País provocou a formação de nuvens pesadas em Mato Grosso do Sul", explica André Madeira, meteorologista da Climatempo. Elas vieram para o Sudeste e Sul. "Nesta época do ano, as temperaturas estão mais elevadas. Quando entram em contato com o ar úmido, propiciam a formação de granizos. É comum."

Independentemente da chuva do feriado, o tempo está demorando a firmar. E isso tem a ver com o La Niña, fenômeno que ocorre a cada três ou quatro anos. Há um resfriamento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico equatorial, que afeta o clima no mundo todo. No Hemisfério Sul, uma das maiores consequências é, segundo Madeira, a penetração de massas de ar polar mais intensa. Essas correntes derrubam a temperatura. "Mesmo assim, não está mais frio do que o normal para época", garante Madeira. "Nem mais chuvoso."

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