Tiago Queiroz/Estadão
Tiago Queiroz/Estadão

Grande SP chega a mês seco com 1/4 da água

Crise hídrica deixou os seis mananciais que alimentam a Região Metropolitana com 24,3% da capacidade para atravessar agosto

Fabio Leite, O Estado de S. Paulo

01 Agosto 2014 | 03h00

SÃO PAULO - Com os dois principais mananciais em crise aguda de estiagem, a Grande São Paulo inicia o mês mais seco do ano com menos de um quarto da capacidade total de água disponível para abastecer cerca de 20 milhões de pessoas. Dos 1,99 trilhão de litros que podem ser armazenados nos seis sistemas que alimentam a Região Metropolitana, restam hoje nas represas 484,8 bilhões, incluindo a primeira cota do volume morto do Cantareira. É o nível mais baixo desde a conclusão do maior manancial paulista, no início da década de 1980.

Apenas em julho, os seis sistemas registraram um déficit de 94,2 bilhões de litros, provocado, principalmente, pela seca histórica no Cantareira e pelo remanejamento de água de outros sistemas, como Alto Tietê e Guarapiranga. Isso significa que, a cada dia, 3,1 bilhões de litros deixaram os reservatórios sem serem repostos pela chuva. Em agosto, a situação deve agravar-se. Historicamente, o manancial recebe 38,2% milímetros a menos do que a média anual. Neste ano, as medições têm projetado um cenário ainda mais pessimista. A pluviometria acumulada em todos os sistemas nos sete primeiros meses do ano está 21,8% abaixo da média histórica.

“Não há previsão de chuva ao menos até 6 de agosto, quando uma frente fria deve passar pelo oceano e aumentar a nebulosidade na faixa leste da região. Mesmo assim, não seria nada considerável. Chuva mesmo só depois de setembro”, explica a meteorologista Neide Oliveira, do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). Se não fosse o acréscimo de 182,5 bilhões de litros do volume morto do Cantareira a partir de maio, a Grande São Paulo teria hoje apenas 18,5% da capacidade total.

Mesmo no vermelho, o Cantareira ainda tem o maior volume de água disponível entre os seis sistemas da Região Metropolitana. Ocorre que o manancial ainda destina 15% de sua água para abastecer cerca de 5 milhões de pessoas na região de Campinas e nem a redução de 9 mil litros por segundo na retirada das cinco represas desse sistema deve impedir que a reserva acabe em outubro. 

Responsável pelo abastecimento direto de 31 das 39 cidades da Grande São Paulo, incluindo a capital, a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) quer utilizar mais 116 bilhões do volume morto do Cantareira e outros 25 bilhões da reserva do Alto Tietê para manter o abastecimento sem ter de decretar racionamento oficial de água. Se a estiagem permanecer, essas medidas, porém, devem dar uma sobrevida aos mananciais apenas até dezembro.

Racionamento. “Se não chover no fim do ano será uma catástrofe na Região Metropolitana. Precisamos admitir que existe risco grande de colapso e adotar medidas de racionamento de água”, diz o presidente do Comitê da Bacia Hidrográfica do Alto Tietê, Chico Brito (PT), prefeito de Embu das Artes. 

Na Grande São Paulo, Guarulhos e Mauá, que têm sistema próprio, admitem a prática de rodízio de água. Segundo a Sabesp, a prática é prejudicial à população mais pobre e pode contaminar ou danificar a rede de distribuição. Para a empresa, o volume de água disponível é suficiente para abastecer a Região Metropolitana até março de 2015, sem racionamento.

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