Ernesto Rodrigues/AE
Ernesto Rodrigues/AE

Grande SP ainda tem 9 bairros alagados

Áreas da zona leste, Itaquaquecetuba e Guarulhos estão debaixo d'água há 12 dias

Rodrigo Burgarelli, O Estado de S.Paulo

21 Janeiro 2011 | 00h00

Pelo menos nove bairros estão debaixo d"água há 12 dias na Grande São Paulo. A maioria fica na zona leste da capital - são pelo menos sete bairros, todos no distrito Jardim Helena, às margens do Rio Tietê -, mas há áreas alagadas também em Itaquaquecetuba e Guarulhos desde sábado da semana passada. Há casas destruídas e outras submersas, e 58 desabrigados estão dormindo em uma escola municipal de São Paulo.

Os bairros mais atingidos na capital foram a Vila Itaim, a Chácara Três Meninas e o Jardim Pantanal. Todos são próximos do Jardim Romano, que no ano passado ficou debaixo d"água por mais de dois meses. Moradores das outras regiões dizem que também ficaram alagados no mesmo período, mas com menos destaque. "O Jardim Romano ficou famoso por causa do CEU, mas aqui aconteceu a mesma coisa", diz o professor Oswaldo Ribeiro Santos, de 36 anos, morador da Vila Itaim.

O dique que está sendo construído no Jardim Romano conseguiu manter as ruas secas neste verão, mas os vizinhos não tiveram a mesma sorte. "É a primeira vez que alaga aqui por dois anos seguidos, e ninguém sabe quando isso vai parar" , afirma a enfermeira Ana Aparecida Silveira, de 52 anos, cuja casa no Jardim Pantanal tem água até a altura do joelho. O distrito tem 250 mil habitantes, mas a Prefeitura ainda está fazendo o cadastramento das famílias para saber quantas foram afetadas.

Explicação. Segundo especialistas, os alagamentos são causados pelo refluxo nos oito afluentes e nas galerias pluviais causado pelo alto nível do Rio Tietê. Para remediar a situação, o governo estadual começou o desassoreamento em outubro de 2010, está licitando um projeto de canalização de um córrego no Jardim Fiorello, em Itaquaquecetuba, e estuda uma obra de contenção das cheias na Vila Itaim.

A solução definitiva, no entanto, é a construção do Parque Linear Várzeas do Tietê, uma obra de R$ 1,7 bilhão prometida para 2019 que deve tirar casas da áreas de várzea e criar ali uma área verde de 75 quilômetros de extensão. Mas os moradores estão apreensivos. "Desde que trocou o governador, ninguém falou mais nada. Não sabemos se os planos mudaram ou não", diz Oswaldo.

Por isso, grupos comunitários dos bairros atingidos vão pedir uma audiência pública para discutir a obra. Para Oswaldo, o ideal é que os moradores retirados sejam indenizados pelo valor das casas, e não encaminhados a programas habitacionais. "Moramos em casas boas aqui, e queremos ser indenizados como o pessoal do Jardim Romano, onde teve quem ganhou até R$ 250 mil pela casa."

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