José Vilson Vanderley/Arquivo pessoal
José Vilson Vanderley/Arquivo pessoal

Grafites em viela das mortes em Paraisópolis marcam nova homenagem às vítimas

Familiares e moradores fizeram ato ecumênico neste domingo, 8, em memória dos jovens pisoteados em favela e também em Heliópolis

Tulio Kruse, O Estado de S.Paulo

08 de dezembro de 2019 | 19h24

Uma semana após a morte de nove pessoas em Paraisópolis, na zona sul de São Paulo, as mesmas vielas onde as vítimas foram pisoteadas e sufocadas receberam grafites e novas homenagens. Um ato ecumênico com a presença de alguns familiares dos jovens mortos, que tinham entre 14 e 20 anos, foi realizado no fim da tarde deste domingo, 8. 

Nos muros, os grafites traziam mensagens de protesto contra a violência policial e pedidos de paz. "Paraisópolis pede paz, chega de preconceito com o povo pobre!", diz uma das mensagens inscritas na viela. 

“A viela é escura, não tem iluminação pública, e a maioria da comunidade tem medo de passar nessa viela, então os moradores se juntaram com os grafiteiros para mudar a cara dela”, conta Igor Amorim, membro da associação de moradores.

Os desenhos e frases, feitos por grafiteiros voluntários de Paraisópolis e de outras regiões da cidade, foram feitos ao longo da manhã e tarde do domingo. Por volta das 17h, o ato ecumênico marcou o encerramento de um fim de semana dedicado à memória das vítimas. 

Além dos mortos de Paraisópolis, os moradores também lembraram da morte de uma pessoa na favela de Heliópolis, também na zona sul, no mesmo fim de semana. Três policiais militares envolvidos nessa ação foram afastados de suas funções, neste sábado, 7. 

Baile da DZ7

Durante a madrugada, foi reeditado o Baile da DZ7, mesma festa interrompida pela ação da polícia uma semana antes. Muitos foram vestidos de branco, em referência aos pedidos de paz na comunidade. 

A festa também foi marcada por homenagens às vítimas, com orações do Pai Nosso entoadas pelos presentes. Moradores disseram que o baile foi esvaziado em relação à semana passada e edições anteriores. A PM manteve um esquema de segurança reforçado no entorno da favela, e não houve ocorrências. 

Segundo nota divulgada pela Prefeitura, uma comissão de secretários municipais e estaduais se reúne hoje com lideranças comunitárias de Paraisópolis. A intenção é “dialogar com a comunidade para criar e intensificar programas e políticas públicas que atendam as necessidades da população local”, diz a Prefeitura. Os moradores também devem entregar uma carta de reivindicações ao governo estadual nesta segunda. Uma audiência popular, só com membros da comunidade, deve ser realizada no próximo sábado, 14.

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