Grafite de 36 metros surpreende na Paulista

Projeto, aprovado pela Prefeitura, é bancado pela iniciativa privada

TIAGO DANTAS, O Estado de S.Paulo

25 Julho 2012 | 03h03

Nem tudo é cinza na Avenida Paulista, região central. A paisagem de uma das vias mais importantes da cidade está mais colorida desde a semana passada, quando um grafite de 36 metros de altura começou a ser pintado na lateral de um prédio próximo do cruzamento com a Avenida Brigadeiro Luís Antônio. Planejada pelo artista Rui Amaral, de 51 anos, a intervenção deve ficar pronta amanhã.

A obra foi autorizada pela Prefeitura no dia 14 e é patrocinada pela iniciativa privada. Prevista no texto da Lei Cidade Limpa, a licença concedida pelo governo permite que o financiador da pintura instale, durante um mês, uma placa com 80 centímetros de altura por 60 centímetros de largura com seu logotipo e informações sobre o painel. Amaral acredita que o grafite ficará exposto por pelo menos um ano.

Outros dois projetos do grafiteiro receberam aval da Prefeitura. O grupo de ilustradores Mulheres Barbadas está finalizando um desenho na lateral de um edifício na esquina das Ruas da Consolação e Antônio Carlos, no centro. Já no cruzamento da Rua Amauri com a Avenida Brigadeiro Faria Lima, no Itaim-Bibi, zona sul, a pintura está sendo feita pelo escritório de design Estúdio Colletivo.

"Fazia 30 anos que eu sonhava com um projeto como esse", revela Amaral, responsável por fazer, no início dos anos 1990, um grafite no túnel que liga as Avenidas Doutor Arnaldo e Paulista. "Não sabia como o desenho ia ficar na parede do prédio, mas estou feliz. Acho que os recortes que fizemos nas janelas o deixou ainda mais legal", completa. As manifestações do público também têm animado o artista.

Fim da monotonia. A empresária carioca Lozia Filip, de 44 anos, caminhava pela Paulista ontem à tarde, quando parou para tirar uma foto. "Achei superinteressante. No Rio a gente não tem isso. Acho que é o tipo de coisa que São Paulo precisa para melhorar a paisagem."

O advogado Antônio Prates, de 38 anos, concorda com Lozia. "Meu escritório é aqui perto e estou acompanhando o trabalho deles todo dia. Pinturas como essa tiram a monotonia da cidade."

Mas, como qualquer obra de arte, o grafite não agradou a todo mundo. "Não gostei muito do desenho. Acho que destoa, porque tudo na Paulista é tão retinho, quadrado", diz a aposentada Iolanda de Souza, de 63 anos.

"Gosto não dá para discutir. Mas é certo que essas iniciativas ajudam a deixar a cidade mais colorida, bonita e agradável", afirma a urbanista Regina Monteiro, presidente da Comissão de Proteção à Paisagem Urbana (CPPU), órgão da Prefeitura responsável por aprovar o grafite. "É melhor ter uma pintura do que as propagandas que antes ocupavam esses lugares." Outros três condomínios já mostraram interesse em receber painéis artísticos, diz Regina.

Autorizações. O número de autorizações dadas pela Prefeitura para grafites tem crescido ano a ano. Em 2010, foram permitidas dez intervenções. A quantidade de licenças subiu para 34 em 2011. Entre janeiro e junho deste ano, já foram 57 projetos aprovados, segundo o governo.

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