Filipe Araújo/Estadão
Filipe Araújo/Estadão

Grafite apagado de osgemeos foi considerado pichação por subprefeitura

Obra realizada debaixo do Viaduto do Glicério foi pintada de cinza; artistas refizeram inscrições

Mônica Reolom,

11 Maio 2013 | 15h08

SÃO PAULO - Inscrições feitas pela dupla de artistas osgemeos em muro do Viaduto do Glicério, no centro de São Paulo, foram consideradas “pichações” e, por isso, apagadas pela Subprefeitura da Sé. As instalações, feitas em abril e maio no local, foram pintadas de cinza pelos funcionários, conforme antecipou a coluna Direto da Fonte.

No primeiro mural, artistas escreveram: “Nesta cidade existem muitos problemas sérios que precisam de resultados! Não gaste tempo e $ apagando grafite nas ruas”. E veio a tinta cinza. Depois, osgemeos treplicaram: “Senhor prefeito: apagar arte é apagar cultura; apagar cultura é desrespeitar o povo”. E veio o cinza de novo.

Segundo a subprefeitura, “as duas vezes em que os muros foram limpos, eram pichações, e não arte”. “Não há orientação da Prefeitura de apagar grafites. Se tiver uma pichação, com certeza será apagada.” 

Há três dias, osgemeos pintaram novamente no mesmo local. Desta vez, não há inscrições. A dupla espera que a Prefeitura não jogue tinta cinza por cima novamente. “O grafite existe em São Paulo há mais de 25 anos e tem toda uma escola e uma cultura por trás, além do reconhecimento nacional e internacional de artistas que levam o nome e nossa cultura para fora do País há anos”, afirmaram os grafiteiros, em nota. “Esperamos com esse alerta que a Prefeitura e seus órgãos ‘competentes’ parem definitivamente de apagar os grafites e respeitem e preservem a arte de rua em todos os segmentos.”

Também por meio de nota, a Prefeitura afirmou que respeita manifestações artísticas” e a subprefeitura já tomou providências para que essas ocorrências não se repitam. “A postura da Prefeitura é a de valorizar e estimular a arte de rua.”

O amparo legal para apagar os murais veio da Lei 14.451, de 2007, da gestão de Gilberto Kassab (PSD). Em 2008, um mural feito pela dupla na Avenida 23 de Maio foi apagado, embora os irmãos estivessem autorizados a pintar no local. A Prefeitura reconheceu o erro. / COLABOROU MARÍLIA NEUSTEIN

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