Gráfica ligada a mulher de vereador recebe da Prefeitura

Órgãos públicos pagaram R$ 270 mil a empresa que funciona no mesmo endereço de firma da mulher de Antonio Goulart

Bruno Tavares, Diego Zanchetta e Rodrigo Burgarelli, O Estado de S.Paulo

02 Fevereiro 2011 | 00h00

A Companygraf, empresa que tem como sócia a mulher do vereador Antonio Goulart (PMDB), abriga em sua sede uma outra gráfica, que já recebeu pelo menos R$ 270.485,72 em contratos com a Prefeitura de São Paulo, empresas municipais e o Tribunal de Contas do Município (TCM).

A gráfica em questão está registrada como Studio Companygraf. Seu endereço - Rua Maria Aparecida Anacleto, 471, na Capela do Socorro - fica, em tese, a 10 metros de onde funciona a gráfica da mulher do vice-presidente da Câmara Municipal, Kazuko Hayashi Goulart.

O Estado revelou ontem que o vereador usou R$ 37 mil de sua verba de gabinete - cota mensal da Câmara destinada ao custeio de despesas do mandato - para pagar por serviços prestados pela gráfica de sua mulher. Uma resolução da Câmara proíbe que cônjuges de parlamentares firmem contratos, direta ou indiretamente, com o poder público.

No papel, Companygraf e Studio Companygraf são empresas distintas. Mas, na prática, não foi o que a reportagem constatou. Sem se identificar, o Estado telefonou para o número da Companygraf e perguntou se seria possível falar com a Studio Companygraf. "Pode falar aqui mesmo. São as mesmas pessoas", foi a resposta da secretária.

Vitor Cavalcanti de Arruda, o outro sócio da Companygraf, disse que a Studio Companygraf está registrada no nome de sua mulher. "É uma empresa aberta para participar de licitações."

A empresa foi contratada por vários órgãos municipais. Os maiores valores foram pagos pela SPTuris (R$ 160,5 mil) e pela Ouvidoria do Município (R$ 30 mil). Das subprefeituras, a única que firmou contratos com a gráfica foi a de Capela do Socorro (R$ 29,4 mil), na região em que Goulart tem seu reduto eleitoral.

Outro órgão que contratou a Studio Companygraf foi o TCM, que auxilia a Câmara a fiscalizar o Executivo. A corte aparece no site da Companygraf como um dos "principais clientes". Há no Diário Oficial da Cidade pelo menos R$ 8.601,20 em contratos firmados pelo TCM para a impressão de cartões de visita, envelopes e convites. A gráfica também imprimiu um boletim do TCM em 2007, época em que o órgão era presidido pelo conselheiro Antônio Carlos Caruso, padrinho político de Goulart.

A SPTuris e a Ouvidoria disseram que "não houve favorecimento ou ilegalidade nas contratações". O TCM confirmou que a gráfica prestou "serviços esporádicos". E anotou que "não é usual consultar a composição acionária de empresas que prestam pequenos serviços, que independem de licitação".

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