Andre Lessa/AE-11/2/2011
Andre Lessa/AE-11/2/2011

Grades em biblioteca reacendem polêmica

Em nome da segurança, prefeitura cerca a recém-reformada Mário de Andrade

Edison Veiga, O Estado de S.Paulo

21 Fevereiro 2011 | 00h00

A reinauguração da Biblioteca Mário de Andrade, no dia 25 de janeiro, reacendeu uma velha polêmica paulistana: espaços públicos devem ou não ser protegidos por grades? Isso porque o projeto de restauro da histórica biblioteca, elaborado entre 2005 e 2006 pelo escritório Piratininga Arquitetos Associados, previa nos fundos uma área externa ligando a biblioteca à Praça Dom José Gaspar, sem grades rodeando a construção. O prédio ficou tinindo, mas as grades continuam lá.

"O projeto ficou incompleto", lamenta o arquiteto José Armênio de Brito Cruz, sócio do Piratininga e um dos autores da obra. "Havíamos previsto um diálogo do prédio com a cidade. Botar cerquinha em volta faz com que o prédio, apesar de público, não interaja com o entorno."

A Secretaria Municipal da Cultura, por meio de sua Assessoria de Imprensa, justifica que a decisão de manter as grades foi para proteger o paisagismo realizado ali - ao custo de R$ 500 mil. "No local, foram usadas 18 espécies de plantas, incluindo bromélias imperiais, lambaris, bananas-bravas, entre outras. Ao todo, foram plantadas 25 mil mudas", esclarece. O órgão ressalta que as grades atuais são menores do que as que existiam antes.

"Ao longo da obra, a secretaria chegou a nos procurar, pedindo uma solução arquitetônica que previsse grades", comenta Brito Cruz. "Como argumentamos que não desenharíamos e que isso feria a diretriz do projeto, eles providenciaram uma solução interna." A Prefeitura recorreu ao arquiteto André Graziano.

Outros exemplos. Não se trata do único caso de grades em espaço público. Nos últimos anos, a medida vem sendo adotada em várias das 6 mil praças paulistanas - a Secretaria de Coordenação das Subprefeituras admitiu não ter o número consolidado de quantas contam com a proteção e disse que um levantamento demoraria duas semanas.

"Em alguns locais, o entorno da praça possui muito movimento de veículos. Assim, o gradeamento evita que uma criança, durante uma brincadeira, saia correndo em direção à rua", afirma o órgão, por meio de nota. "Também é possível, com o gradeamento, inibir a possibilidade de pessoas mal intencionadas se aproveitarem de vegetação mais alta para usar como refúgio ou esconderijo." A secretaria frisou que não há legislação que regulamente a existência ou não de grades em torno de praças.

Os exemplos estão em todos os bairros. Uma parte da Praça da Independência, no Ipiranga, por exemplo, é gradeada "por fazer parte de área tombada." Na Vila Prudente, uma praça foi gradeada há três anos porque era ponto de descarte irregular de lixo. Em Americanópolis, uma praça foi cercada em 2009. Motivos: melhorar a segurança e evitar acúmulo de entulho.

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