Governos se calam após destruição na Paulista

Nádia e Afif nada dizem; da França, Haddad se irrita com vândalos e Alckmin defende PM

Bruno Paes Manso, Lúcia Müzell / Paris, especial para o Estado, O Estado de S.Paulo

12 Junho 2013 | 02h02

Com o governador e o prefeito em Paris para tratar da candidatura de São Paulo à Expo 2020, seus substitutos evitaram comentar os protestos na principal cidade do País. O Movimento Passe Livre protocolou um pedido de reunião com a prefeita em exercício, Nádia Campeão (PCdoB), que ainda não foi atendido. Já a assessoria do Palácio dos Bandeirantes disse que apenas a Polícia Militar falaria sobre os conflitos.

Antes de o confronto ficar mais intenso na Paulista, por volta das 21h30 (2h30 em Paris), o prefeito Fernando Haddad (PT) se irritou com a informação de que o movimento, que luta pela tarifa zero, havia depredado ônibus.

Mais cedo, o governador Geraldo Alckmin (PSDB) havia destacado a necessidade de ação das polícias para desbloquear vias. "Uma coisa é movimento, que tem de ser respeitado, ouvido, dialogado. Isso é normal e é o nosso dever fazê-lo", disse o governador, na saída de uma reunião com empresários. "Outra coisa é vandalismo: você interromper artérias importantes da cidade, tirar o direito de ir e vir das pessoas, depredar o patrimônio público, que é de todos. Isso não é possível. Aí é caso de polícia e a polícia tem o dever de garantir a segurança das pessoas."

Alckmin e Haddad ficam na França até amanhã, quando participam da apresentação final da candidatura de São Paulo para sede da Expo 2020. Durante a tarde de ontem, o governador e o prefeito participaram de reunião para acertar os últimos detalhes, mas permaneceram de olho nas notícias de São Paulo. Eles também jantaram juntos na embaixada.

Ninguém para comentar. Apesar do fuso horário de cinco horas em relação à França, as assessorias garantiram que os dois permaneceriam monitorando os acontecimentos na cidade - o Estado buscou contato com ambos, porém, sem sucesso. Já no Brasil, tanto a vice-prefeita Nádia Campeão quanto o vice-governador Guilherme Afif (PSD) não comentaram o protesto. Mesmo após a situação piorar na Paulista, nem Estado nem Prefeitura se pronunciaram - Haddad informou, por sua assessoria, que só voltaria a falar do assunto hoje.

Reunião. Apesar da reunião de conciliação marcada para hoje, o protesto violento de ontem deve dificultar o diálogo com a Prefeitura - justamente após o Movimento Passe Livre (MPL) ter acenado, pela primeira vez, com a possibilidade de negociar propostas. O Ministério Público vai promover um encontro às 14 horas entre os representantes do movimento e das Secretarias Estadual e Municipal de Transportes. O secretário municipal Jilmar Tatto deverá participar.

O MPL reivindica que as passagens de ônibus, trem e metrô, que aumentaram para R$ 3,20 no dia 2, volte para R$ 3. "Não aceitamos nada menos", diz Marcelo Hotimsky, de 19 anos, estudante de Filosofia da USP e porta-voz do MPL. Haddad já se manifestou sobre a redução da tarifa, mas disse que precisa de ajuda federal para alcançar o objetivo.

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