Governos esperam adesão de 861 mil ao bilhete mensal

Projeção da Prefeitura e do Estado equivale a 20% dos usuários do Bilhete Único. Novo cartão custará de R$ 140 a R$ 230 por mês

CAIO DO VALLE, O Estado de S.Paulo

22 Novembro 2013 | 02h06

Ao menos 861,7 mil pessoas podem aderir, em um primeiro momento, ao Bilhete Único Mensal, que passa a funcionar no dia 30. A projeção, da Prefeitura e do governo, equivale a cerca de 20% dos passageiros que já usam o Bilhete Único. O novo cartão permitirá que o passageiro de transporte público da capital faça quantas viagens quiser por um preço fixo, que pode variar de R$ 140 a R$ 230, dependendo do serviço escolhido.

Tanto a gestão do prefeito Fernando Haddad (PT) quanto a do governador Geraldo Alckmin (PSDB) apostam principalmente na adesão de quem hoje utiliza vale-transporte (VT).

Os dados, divulgados ontem em cerimônia que marcou a adesão do Estado ao programa, revelam que, nesse grupo, 543 mil usuários já fazem mais viagens "acima do valor estipulado" para as três modalidades do Bilhete Único Mensal, segundo o secretário municipal dos Transportes, Jilmar Tatto. Ou seja, são potenciais beneficiários, pois, com o bilhete mensal, gastariam menos do que atualmente.

O Bilhete Único Mensal terá três modalidades: a integrada, a R$ 230 por mês, possibilitará o uso de ônibus da SPTrans, metrô e vans; a de ônibus, válida só nos veículos da SPTrans; e a dos trilhos, exclusiva para Metrô e CPTM - as duas últimas serão negociadas a um preço de R$ 140. Até a manhã de ontem, 141 mil pessoas já haviam se cadastrado para obter o novo cartão.

No caso do vale-transporte - uma responsabilidade do empregador -, até 6% do salário dos funcionários é revertido para pagar a passagem de ida e volta do trabalho. O Bilhete Único atual nessa modalidade permite até quatro viagens em um período de duas horas.

"Agora, o empregador vai poder oferecer para o seu empregado um benefício que inexiste", disse Haddad. "Hoje, no vale-transporte, você ganha na exata medida da sua necessidade de se deslocar para o trabalho. Qualquer viagem adicional sai do bolso do trabalhador."

Alckmin se mostrou otimista com as perspectivas do Bilhete Único Mensal. "Acho que o vale-transporte vai ter uma grande adesão, surpreendente. Porque, para quem usa bastante, para o empregador, não vai custar nada a mais, e ele oferecerá ao seu colaborador um grande benefício, sem gastar nada. Quem usa menos vai pressionar o empregador."

Subsídio. O secretário estadual dos Transportes Metropolitanos, Jurandir Fernandes, afirmou que não será necessário criar um subsídio para o Metrô para conter a perda de receita com o Bilhete Único Mensal. Fernandes prometeu "redução altíssima de custeio" nas contas da empresa, sem prejuízo aos investimentos.

O secretário afirmou ainda que não se preocupa com uma eventual superlotação do sistema, já bastante cheio. Ele acredita que as pessoas usarão mais o novo benefício em horários em que não costumam utilizar atualmente, como fora do pico e aos fins de semana.

Alckmin, por sua vez, disse que a adoção do Bilhete Único Mensal não afetará o preço da tarifa - o Metrô e a CPTM ainda não definiram, como a SPTrans, se manterá o preço da passagem em R$ 3 no ano que vem. No caso da Prefeitura, o subsídio estimado para o transporte público no ano que vem será de até R$ 400 milhões por ano.

Estudantes. Benefício garantido por lei, os estudantes poderão aderir ao Bilhete Único Mensal. Porém, na categoria integrada, não pagará metade dos R$ 230 mensais, e sim R$ 140 - a justificativa é de que esse valor leva em consideração a integração com os sistemas.

No futuro, o poder público espera que mais de 2 milhões de passageiros utilizem uma das três modalidades do Bilhete Único Mensal.

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