Alex Silva/AE-3/1/2010
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Governo vai lançar PPP de R$ 4,5 bi para duplicar Rodovia dos Tamoios

Alckmin deve divulgar cronograma na sexta; ideia é estender obras por 82 quilômetros da estrada, incluindo trechos de planalto e serra

Reginaldo Pupo / São Sebastião, Especial para o Estado e Renato Machado / São Paulo, O Estado de S.Paulo

31 de maio de 2011 | 00h00

Após quase duas décadas de espera, o projeto de duplicação da Rodovia dos Tamoios (SP-99), principal ligação entre o Vale do Paraíba e o litoral norte paulista, deve começar a sair do papel. A obra é a principal reivindicação de prefeitos da região e uma das promessas de campanha do governador Geraldo Alckmin (PSDB) desde sua primeira gestão frente ao governo do Estado.

O novo cronograma para duplicação da Tamoios será divulgado na sexta-feira, em São José dos Campos. Alckmin fará o anúncio em seu programa de governo itinerante. Durante dois dias - sexta e sábado -, a sede do governo do Estado vai funcionar na cidade. Assessores do governador confirmam a visita ao Vale do Paraíba, mas evitam comentários a respeito da Tamoios.

A duplicação da rodovia deve custar R$ 4,5 bilhões, segundo estimativas iniciais. A obra será executada por meio de Parceria Público-privada (PPP) e há expectativa de que seja iniciada em janeiro. A proposta foi aprovada em reunião do Conselho Gestor do Programa Estadual de Parcerias Público-privadas. A ata do encontro foi publicada no fim da semana passada no Diário Oficial do Estado.

O órgão cita como justificativa para a aprovação do empreendimento o "desenvolvimento sustentável da região", a importância de oferecer condições melhores para explorar o potencial turístico do litoral norte e a necessidade de aprimorar a ligação para o Porto de São Sebastião, tendo em vista projetos de ampliação do porto e o potencial do pré-sal na região.

A proposta apresentada pela Desenvolvimento Rodoviário S.A (Dersa) ao Conselho prevê duplicação de toda a rodovia (82 quilômetros) e construção de contornos viários para desviar o tráfego de Caraguatatuba e São Sebastião, além de uma nova rodovia às margens da Serra do Mar seguindo direto para o Porto de São Sebastião. Com isso, o tráfego de caminhões e carretas não passaria por dentro das cidades. Em Caraguatatuba, o anel viário ainda aliviaria o trevo da cidade, que recebe e distribui o trânsito da Tamoios com destino a São Sebastião e Ubatuba. A estrada ainda beneficiaria um shopping de médio porte que deve ser aberto até novembro em Caraguatatuba.

A nova Tamoios ficaria com duas faixas de tráfego em cada sentido no trecho de planalto. Já na serra haveria uma remodelagem para operar também com duas faixas e um acostamento na descida. Uma nova pista para a subida seria construída nas mesmas condições. O projeto inicial ainda prevê nove viadutos e cinco túneis. "Esses aspectos ainda se encontram sob estudo e devem ser aprofundados com o desenvolvimento do projeto", diz o documento no Diário Oficial.

Desconfiança. Após anos de promessas, a notícia da duplicação da Tamoios está sendo recebida com ceticismo no meio político. O anúncio também desenterrará as discussões relacionadas à ampliação do Porto de São Sebastião, que está condicionada à duplicação da rodovia.

A Tamoios é palco de dezenas de acidentes e a cada ano engrossa as estatísticas da Polícia Rodoviária Estadual. Possui pista simples, mas há alguns anos o Departamento de Estradas de Rodagem (DER) transformou trechos de acostamento em pista auxiliar. O pior trecho está localizado entre as cidades de Paraibuna e Jambeiro. Enormes crateras são abertas pelas carretas que têm como destino o Porto de São Sebastião.

O percurso entre São José dos Campos e Caraguatatuba normalmente é feito em uma hora, mas, em temporadas e feriados, o mesmo percurso chega a levar de quatro a sete horas.

PONTOS-CHAVE

Ampliação de 2003 não venceu lentidão

Início

A Tamoios foi pavimentada na década de 1950 e, em 1967, teve de ser parcialmente reconstruída após um temporal que destruiu parte de Caraguatatuba.

Interdições

Desde 1985, deslizamentos já interditaram por várias vezes as pistas. Nessa época, começou-se a discutir um novo acesso para o litoral norte paulista.

Ampliação

Em 2003, foram criadas novas faixas. Mas o trânsito continua carregado, principalmente no trecho de serra, em temporadas e feriados prolongados.

 

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