Governo vai dobrar forças na fronteira em 2013

Amorim vai colocar 20 mil homens em ação durante a Copa das Confederações; Cardozo afirma que vigilância é 'boa' e até 2014 será 'excepcional'

LEONENCIO NOSSA / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

19 de dezembro de 2012 | 02h02

O governo federal vai reforçar a vigilância das fronteiras durante a Copa das Confederações, em junho. "O número de agentes deve ser maior do que o de uma operação comum. Não tenho número exato, mas, se a média é de 10 mil militares, poderemos ter 20 mil na Copa", disse ontem o ministro da Defesa, Celso Amorim, durante apresentação de resultados do Plano Estratégico de Fronteiras.

Amorim afirmou que a operação envolverá especialmente a área de inteligência das polícias e das Forças Armadas.

No evento com a presença do vice-presidente Michel Temer, o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, elogiou o plano. "Se os resultados já são bons, acredito que até 2014 (quando o Brasil realizará a Copa do Mundo) serão excepcionais", afirmou.

Questionado sobre fragilidades, Cardozo apontou a extensão das fronteiras brasileiras como uma dificuldade. "A grande questão é o desafio que as fronteiras nos colocam. Os 16 mil quilômetros são realmente um grande desafio", disse.

Cardozo apresentou números que mostram aumento nas apreensões de drogas, armas, dinheiro ilícito e remédios. De junho de 2011 a novembro deste ano, a Operação Sentinela apreendeu 350 toneladas de drogas, volume 329,5% maior. A apreensão de dinheiro oriundo de atividades ilícitas chegou a R$ 10,7 milhão, uma quantia seis vezes maior que a apreendida no período anterior. Também foram apreendidos 7,5 mil veículos e 20 mil pessoas foram presas em flagrante. Foram apreendidas 2.235 armas na fronteira, número seis vezes maior do que o registrado antes da Sentinela.

Cardozo falou em "investimentos expressivos" e tentou derrubar a versão do governo paulista de que as facções criminosas são abastecidas com armas que entrariam ilegalmente no Brasil. "Das armas que são apreendidas nas cidades, 80% são armas legalizadas, que foram extraviadas", disse Cardozo. "O porcentual de armas contrabandeadas pelo crime é de 20%", afirmou.

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