Governo terá em 2013 R$ 15 bi para reverter a onda de crimes

Cenário: Marcelo Godoy

O Estado de S.Paulo

22 de dezembro de 2012 | 02h00

Se antes o delegado-geral falava o que o governo não queria ouvir, agora a divulgação dos dados de criminalidade é acompanhada de um silêncio inexplicável e de um aviso: somente o governador Geraldo Alckmin (PSDB) se manifestará. Na próxima semana, o que Alckmin vai falar? A cúpula da Segurança Pública foi mudada depois que os homicídios cresceram 92% em outubro. Era o dia 21 de novembro. É possível que se diga que o péssimo resultado de novembro - aumento de 50% nos homicídios - quando comparado com o mesmo mês de 2011 ainda não reflita as mudanças. O governo já dispõe dos dados da primeira quinzena de dezembro, mas não os divulga,

Mesmo que os números do último mês de 2012 indiquem tendência de queda na criminalidade, o ano vai fechar com um balanço ruim para a Segurança Pública. Nos primeiros 11 meses do ano, o número de homicídios registrados na capital foi de 1.212 (31% de aumento), com 1.327 vítimas (crescimento de 36%). Os casos do ano já ultrapassaram o total de 2011 (1.019). Os roubos de carro, atividade dominada por quadrilhas organizadas, atingiram 40.141 casos ou 8% mais do que em 2011. Os latrocínios aumentaram (14%) na capital. Se no caso dos homicídios o que pode explicar o aumento é a guerra não declarada entre policiais militares e o Primeiro Comando da Capital, no caso dos crimes contra o patrimônio a diminuição da eficiência do patrulhamento pode ter levado à piora dos resultados. Problemas internos do Comando da Polícia Militar contribuíram para esse quadro.

Além disso, as Polícias Civil e Militar tiveram problemas para executar os investimentos previstos no orçamento de 2012 - quase a metade do dinheiro só foi empenhada neste mês. Ontem, o governo obteve na Assembleia Legislativa a aprovação do orçamento de 2013. Serão 15,6 bilhões para a área no próximo ano, dos quais R$ 10 bilhões para a PM e R$ 3 bilhões à Polícia Civil. O governo separou R$ 618 milhões para a inteligência policial e R$ 464 milhões para a Polícia Científica. O crescimento em comparação com 2012 - orçamento de R$ 14 bilhões - será de 11,2%. Dinheiro, portanto, haverá. Cabe agora ao secretário, Fernando Grella Vieira, assegurar que delegados que pretendem dar a volta na PM por causa da disputa pelo protagonismo no combate ao crime organizado recolham suas canetas. O trabalho integrado entre as polícias não tolera ações corporativas que só alimentam a rixa entre as instituições, levando paralisa às suas estruturas. Os resultados de 2013 dependerão disso também.

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