Governo questiona liberação da pista em Congonhas

Pista teria sido liberada sem as ranhuras que ajudam a segurar pousos; trabalho teria início no dia 25

Tânia Monteiro, do Estadão,

17 de julho de 2007 | 22h48

Reunidos no gabinete de crise após o acidente com o avião da TAM, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e alguns ministros questionavam se o acidente poderia ter sido provocado pela liberação da pista de Congonhas sem as ranhuras que ajudam a segurar os pousos de grandes aviões, que só começariam a ser feitas no próximo dia 25 de julho. A pista principal do aeroporto passou por reforma e foi reaberta em 29 de junho, mas sem sem terminar a pavimentação da via de taxiamento (taxiway) que liga o pátio à cabeceira 17, por determinação do presidente da Infraero, brigadeiro José Carlos Pereira, para não extrabpolar o cronograma da obra.   Veja também:   Sindicato culpa falta de ranhuras na pista de Congonhas   Um Airbus A320 da TAM saiu de Porto Alegre às 17h16, com 176 pessoas a bordo, derrapou no Aeroporto de Congonhas, atravessou a Washington Luiz e bateu num prédio da companhia aérea num posto de gasolina do outro lado da avenida. Foram confirmadas 12 mortes e entre elas está o deputado federal Julio Redecker (PSDB-RS), líder da minoria.   Lula teria pedido informações sobre o acidente com o avião da Pantanal, no dia anterior, que também derrapou na pista de Congonhas e teria sido informado de que, naquele caso, havia ocorrido uma imperícia do piloto.   Havia uma grande preocupação do governo com as repercussões desta nova tragédia, que classificavam como "inacreditável". A gravidade do acidente provocou o cancelamento da agenda de Lula até sexta-feira.   Logo após saber do acidente, foi formado no Palácio do Planalto um gabinete de crise. O presidente teria ficado "consternado" ao receber, por meio de um assessor especial, o brigadeiro Francisco Joseli, a notícia do acidente. Gabinete de crise   Foram chamados para o gabinete de emergência os ministros Waldir Pires (Defesa), Walfrido dos Mares Guia (Relações Institucionais), Dilma Roussef (Casa Civil) e da Franklin Martins (Comunicação Social).   Logo depois de montado o gabinete, Lula telefonou para o comandante da Aeronáutica, brigadeiro Juniti Saito, que estava em São José dos Campos (SP), e determinou que ele se dirigisse para o aeroporto de Congonhas, a fim de obter todas as informações precisas e as repassasse ao Planalto.  Saito chegou a Congonhas por volta das 21h30.   Também foram repassadas ao presidente Lula informações das autoridades aeronáuticas avaliando que as perspectivas eram as piores possíveis e que as chances de haver sobreviventes eram praticamente nulas.   O presidente da Infraero, brigadeiro José Carlos Pereira, assim que foi informado do acidente, embarcou para São Paulo. A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) repassou a responsabilidade pela divulgação de informações para a Aeronáutica. O Centro de Investigação de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) abriu inquérito para averiguar as causas do acidente e começar a recolher os dados para uma avaliação. Os militares estavam em busca da caixa preta e enviaram uma equipe de peritos para o local do acidente.   Viagens canceladas   As viagens que o presidente Lula tinha agendado para quarta e quinta também foram suspensas. O presidente iria, nesta quinta, a Porto Alegre e Florianópolis. Na sexta, estavam previstas visitas a Curitiba e ao Rio. Nas capitais do Sul, o presidente ia fazer o lançamento dos programas de investimentos em saneamento e habitação.   Ao Rio, depois da vaia recebida na sexta-feira passada, durante a abertura dos jogos Pan-americanos, o presidente voltaria para a sessão solene dos 110 anos de fundação da Academia Brasileira de Letras.

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