Governo quer pauta única para negociar com a Polícia Civil

Fontes do palácio afirmam que não é possível equiparar salários de alguns segmentos com o de magistrados

Eduardo Reina e Bruno Paes Manso, de O Estado de S. Paulo,

28 de outubro de 2008 | 10h35

As negociações das reivindicações com os policiais civis de São Paulo poderão obter algum avanço caso o comando de greve tenha uma pauta única e não mude os itens em discussão a cada conversa, segundo fontes do governo de São Paulo. Um dos problemas levantados pela administração estadual é a grande quantidade de entidades envolvidas nas conversas - cerca de 18 - com pedidos diferentes a cada reunião. O discurso de ação político-eleitoral ainda não foi deixado de lado, mesmo após as eleições do último domingo. Segundo fontes no Palácio dos Bandeirantes, sede do governo paulista, não é possível equiparar salários de alguns segmentos da Polícia Civil com o de magistrados, que estão em torno de R$ 19 mil mensais.   Veja também: Em greve, Polícia Civil amplia pressão sobre governo  Pela minha vontade, greve termina amanhã, afirma Serra Entrevista exclusiva com José Serra  Galeria de fotos do conflito no Morumbi Policiais civis e militares entram em confronto em SP; assista   Todas as notícias sobre a greve       O governador José Serra não comentou a nova estratégia dos grevistas, de acompanhar todas suas agendas externas, como forma de pressão para desenvolver as negociações. "Não vou comentar nada sobre essas ações", disse Serra ao sair de entrevista à TV Estadão, na tarde de segunda-feira. Ressaltou que não pode prever se o movimento de paralisação será interrompido ainda nesta semana, e expressou que gostaria que a greve acabasse já. "Pela minha vontade, (acabaria) amanhã. Mas, pelo rumo dos fatos, não posso prever."   Antes, durante entrevista à TV, quando foi perguntado sobre o ato que estava sendo realizado na Praça da Sé, ele comentou que o governo estadual nunca deixou de receber sugestões e de conversar com os grevistas. "Tem um projeto na Assembléia que o governo mandou, que foi o resultado de muitas conversas. O governo estadual nunca deixou, ao contrário do que se propala, de conversar, de ouvir, de receber sugestões. Mandamos um projeto para a Assembléia e eu espero que em torno desse projeto se crie uma situação de paz, de fim da greve e de trazer tranqüilidade para o povo de São Paulo. A área da segurança é muito importante para isso", disse.   As negociações tiveram início há cerca de seis meses. A categoria pede reajuste salarial de 15% para este ano, 12% de correção em 2009 e outros 12% em 2010. O governo do Estado propõe um reajuste de 6,5% no salário base em 2009 e outro de 6,5%, em 2010. O pacote salarial enviado à Assembléia Legislativa inclui também cerca de 16 mil promoções de cargo - há 35 mil policiais civis no Estado -, por meio da extinção da 5ª classe e da transformação da 4ª classe em estágio probatório. A aposentadoria especial também seria restabelecida.   O diretor da Associação dos Delegados de Polícia do Estado de São Paulo, André Dahmer, disse que o mais importante para a categoria é que seja aberta a possibilidade de conversar com algum interlocutor do Governo do Estado com poder de decisão. Os grevistas defendem a extinção da carreira de 4ª classe, além da 5ª, e critérios de promoção mais flexíveis na carreira. Eles também defendem que o Adicional de Local de Serviço (ALE), gratificação paga pelo Governo Estadual, seja incorporada ao salário. "Atualmente, depois de 30 anos de serviço, o policial não consegue chegar ao topo. São pontos importantes na carreira que até agora ninguém nos explicou porque não podem ser adotados", reclama Dahmer.

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