NILTON FUKUDA/ESTADÃO
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Governo paulista só inicia 1 de 7 obras contra crise hídrica

Sabesp conseguiu começar a interligação do Rio Guaió com o Sistema Alto Tietê

Fabio Leite, O Estado de S. Paulo

02 Abril 2015 | 03h00

Apenas uma das sete obras de emergência previstas pela Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) para “atravessar o deserto de 2015” sem decretar rodízio oficial no abastecimento de água na região metropolitana já foi iniciada, segundo o presidente da estatal, Jerson Kelman.

“Hoje está sendo feita apenas uma (obra), que é a ligação do (Rio) Guaió com a (Represa) Taiaçupeba. Brevemente, começará outra, que são duas adutoras que levarão água do (Sistema) Rio Grande para Taiaçupeba (Sistema Alto Tietê)”, disse Kelman, em debate sobre a crise hídrica promovido anteontem pelo jornal Folha de S.Paulo. 

A ligação do Rio Grande, que é um braço da Represa Billings, com a Taiaçupeba é considerada a obra mais urgente. O objetivo é levar 4 mil litros por segundo para o Alto Tietê, cuja estação de tratamento está subaproveitada porque o manancial está com 22,7% da capacidade. Com isso, a Sabesp prevê levar mais água desse sistema para socorrer a área do Cantareira.

Ao anunciar a ligação das duas represas, no fim de janeiro, o governador Geraldo Alckmin (PSDB) disse que a obra começaria em fevereiro e seria concluída em maio. Agora, a previsão de entrega é julho, segundo a Sabesp. O custo estimado é de R$ 130 milhões, e os contratos para execução das obras físicas e aquáticas, no valor de R$ 46,6 milhões, foram assinados sem licitação no dia 27.

Além desse projeto e da obra já iniciada que prevê levar 1 mil litros por segundo do Rio Guaió para a Taiaçupeba, o pacote de intervenções emergenciais inclui a ligação do Rio Itatinga ao Sistema Alto Tietê e dos Rios Capivari e Juquiá ao Guarapiranga. Além disso, a Sabesp pretende ampliar de 4 mil para 5 mil l/s a transferência de água da Billings para a represa da zona sul da capital e, com isso, ampliar a capacidade do Sistema Guarapiranga de 15 mil para 16 mil l/s. Neste caso, um contrato de R$ 41,6 milhões, sem licitação, já foi assinado.

Condições. Para Kelman, a conclusão das obras emergenciais sem atrasos é umas das condições necessárias para não adotar o rodízio. As outras duas são a continuidade da economia de água pela população e que o Cantareira receba até 80% da água que entrou no manancial em 2014, pior ano da história. 

“Nós fizemos um elenco de possíveis obras, que serão defasadas no tempo, na medida que forem sendo necessárias”, afirmou Kelman, sobre o ritmo de execução das obras. Ele disse que a ideia das intervenções surgiu durante um sobrevoo que fez na região em seu terceiro dia à frente da Sabesp para detectar novas fontes de recursos de abastecimento. 

À época, o Cantareira caminhava para esgotar o segundo volume morto. A recuperação parcial aconteceu com as chuvas de fevereiro e março, que ficaram acima da média. Ontem, porém, no primeiro dia da estação seca, que vai até setembro, não caiu nenhum milímetro nos seis mananciais da região. O único que não registrou queda foi o Cantareira (que subiu 0,1 ponto, para 19,1%), reflexo ainda da precipitação de segunda. Apesar disso, Kelman acha que o rodízio não será necessário.

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