Governo não tem cadastro de todas as clínicas

A falta de um cadastro único e nacional de clínicas e comunidades terapêuticas que promovem internação de dependentes químicos dificulta o controle sobre os tratamentos realizados no País. Segundo a Vigilância Sanitária Estadual, há 135 clínicas credenciadas em São Paulo, mas o banco de dados do Ministério Público Estadual só lista 43.

O Estado de S.Paulo

22 de janeiro de 2012 | 03h02

A análise dos dados revela que o poder público tem ainda menos conhecimento sobre as internações feitas com consentimento dos pacientes. Isso porque, nesse caso, a legislação não exige notificação. Clínicas particulares podem ser escolhidas aleatoriamente pelos pacientes e promover tratamentos de acordo com a filosofia escolhida pelos proprietários.

Normalmente, essa internação ocorre por indicação ou por afinidade com o programa apresentado pela instituição. "Acho que nunca vou deixar de querer fumar crack, mas estou tentando controlar essa vontade com as atividades da clínica. Pedi ajuda", diz P.C.B., de 23 anos, internado há três meses.

Vagas. Muitas vezes sem opção de escolha, os pacientes acabam internados em clínicas credenciadas pelo poder público - a Prefeitura tem sete, que oferecem 291 vagas ao todo. Para obter uma delas, é preciso indicação de um médico da rede pública.

Segundo levantamento do Ministério Público Estadual, o Conjunto Hospitalar do Mandaqui, comandado pelo Estado, recomendou a internação involuntária de 8.148 pacientes desde 2003. É o recordista, seguido pela Irmandade Santa Casa de Misericórdia, com 6.289, e pelo Hospital Psiquiátrico Philippe Pinel, com 2.776 casos. / A.F.

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