'Governo não negará dinheiro para São Paulo'

Ministro defende ação integrada para combater onda de violência e diz que Estado terá recursos federais para segurança

Entrevista com

VANNILDO MENDES / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

09 de novembro de 2012 | 02h01

Após intensa troca de hostilidades com autoridades do governo tucano de São Paulo, o ministro petista da Justiça, José Eduardo Cardozo, defendeu o plano de ação integrada que os dois lados pactuaram esta semana para enfrentar a onda de violência no Estado. Em entrevista, ele reagiu às desconfianças que persistem. "Não estamos enxugando gelo, se alguém é pessimista em relação ao plano, que proponha as saídas", disse. Depois de afirmar que o ministério não é banco, Cardozo baixou a guarda e agora admite que não faltarão recursos para financiar as ações combinadas com o governo paulista. Ele também negou qualquer viés político na atuação da pasta. "Vou dizer em alto e bom som: não sou candidato ao governo do Estado, nem a nenhum cargo eletivo", garantiu. O ministro admitiu que há corrupção em organismos policiais de São Paulo e que eles serão combatidos em ações da Polícia Federal, como ocorreu no Rio e em outros Estados.

Há dúvidas quanto à eficácia do plano, porque o governo não estaria fazendo sua parte no combate ao tráfico nas fronteiras.

Não estamos enxugando gelo. Ao contrário. Se alguém é pessimista em relação a isso, que proponha o que deve ser feito. As propostas que temos são as indicadas no limite das possibilidades materiais e dos conhecimentos acumulados no mundo sobre combate a organizações criminosas. Não se combate o crime organizado sem assumir, primeiro, que ele existe e sem adotar ações corretas que permitam prender líderes, isolar sua influência e asfixiar financeiramente a sua organização.

O senhor tem dito que o ministério não é banco, mas segurança não se faz sem recursos.

Claro que nós entraremos com recursos. Mas eles não vêm antes dos projetos. Quando fecho projetos, alguém custeia e aí você define a matriz de responsabilidade. É óbvio que o governo entrará com dinheiro, a partir dos projetos que selecionamos em comum acordo. O governo federal não se recusa a colocar dinheiro em nenhum Estado e não o negará a São Paulo. O volume ainda será discutido.

A violência tem dois lados e um deles certamente está ligado à corrupção e a abusos policiais. O plano atacará esse problema? Nenhum órgão de Estado é imune à corrupção. Naturalmente isso se aplica também aos órgãos policiais. Se comprovarmos sua existência e em sendo competência da PF, nós agiremos, como temos agido em vários Estados. No Rio, por exemplo, tivemos ações em conjunto com o governo, que resultaram na prisão de vários policiais.

Alguns críticos afirmaram que as medidas são paliativas e não resolverão onda de violência.

O combate ao crime organizado não se resolve com super-heróis, nem com passe de mágica. Mas com ações bem planejadas. Acreditamos que, no limite das possibilidades do ministério e do governo de São Paulo, o plano vai dar certo.

O senhor foi acusado também de ter agido nessa crise com intenções políticas.

Vou dizer em alto e bom som: não sou candidato ao governo do Estado, nem a nenhum cargo eletivo. Minha missão é atuar no ministério enquanto a presidente Dilma achar que devo ficar. Nossa postura é a do interesse público.

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