Governo garante segurança no carnaval

Ministérios da Defesa e da Justiça colocam 20 mil homens de prontidão para reforçar segurança durante a festa em todo o País

BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

11 de fevereiro de 2012 | 03h05

O governo federal garantiu ontem que tem planos de contingência para garantir a segurança do carnaval em todo o País, com mais de 20 mil homens de prontidão, para mandar ajuda a qualquer Estado que recorra à União para garantir a lei e a ordem pública. A cargo dos Ministérios da Defesa e da Justiça, os planos incluem efetivos das Forças Armadas, Polícia Federal e Força Nacional de Segurança Pública, que tem uma reserva de 10 mil policiais de elite recrutados nos Estados para pronto emprego.

"Se necessário, temos condições de mandar tropas não só ao Rio - onde as Polícias Militar e Civil entraram em greve ontem - mas para qualquer Estado que necessite de reforço", informou o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo. Ele garantiu que "todas as medidas foram adotadas para assegurar a tranquilidade de foliões e turistas durante o período carnavalesco". "Não tenho a menor dúvida de que o carnaval transcorrerá em absoluta normalidade em todos os Estados."

Planalto. O Palácio do Planalto avalia que o tratamento de choque dado aos grevistas na Bahia, numa articulação federal com o governo Jaques Wagner (PT), serviu de alerta aos demais Estados, onde associações de cabos e praças militares armara uma onda de paralisações e motins. "Estamos acompanhando com evidente preocupação a movimentação em todo o País, mas acreditamos que a reação firme do governo contra atos criminosos e de vandalismo ocorridos na Bahia fez reduzir o ímpeto nos demais Estados", disse Cardozo.

Além de endurecer na negociação salarial, o governo pediu a prisão dos cabeças do movimento e fechou questão em não conceder anistia aos que cometeram excessos. "A posição do governo é clara: somos contrários a qualquer forma de anistia, não é possível que pessoas que tenham praticado crimes, situações de vandalismo, sejam simplesmente ignoradas", observou Cardozo. A seu ver, no Rio, "é visível o enfraquecimento do movimento e também o amadurecimento dos policiais, que optaram por ações não violentas".

Os serviços de inteligência do governo, que incluem a Abin e a PF, monitoram há meses a movimentação dos policiais em todos os Estados e detectaram que, além da Bahia e Rio, havia mobilização forte em outros dez. Em seis, o quadro é mais preocupante (Espírito Santo, Pará, Paraná, Rio Grande do Sul, Alagoas e Goiás). Nos outros quatro, o risco de motim é menor, mas não totalmente descartado (Mato Grosso, Roraima, Tocantins e Distrito Federal).

Em todos esses Estados, haverá assembleias de associações de cabos e praças, ou reuniões de articulação ao longo da próxima semana, nos dias que antecedem o carnaval. A maior parte das deliberações será tomada no dia 15. O Planalto está orientando os governos a se antecipar aos fatos e abrir negociação com entidades representativas das polícias. / VANNILDO MENDES, JOÃO DOMINGOS e RAFAEL MORAES MOURA

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