Governo federal reitera a oferta de ajuda ao Estado

Ministro da Justiça diz que colaboração é sugerida desde junho: 'Não é hora de trazer disputas políticas à tona'

VANNILDO MENDES / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

31 Outubro 2012 | 02h06

Em carta ao governador paulista, Geraldo Alckmin (PSDB), o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, reiterou a oferta de ajuda ao governo estadual no combate à onda de violência desencadeada por grupos criminosos no Estado. Mas ressaltou que o governo federal "não é mero repassador de recursos" para ações isoladas sem planejamento estratégico. "Passou a época em que a segurança pública era disputa de mocinhos e bandidos. As ações têm de ser integradas, envolvendo União, Estados e municípios", disse ao Estado.

Na carta ao governador, Cardozo insistiu que tem oferecido ajuda federal para o governo local debelar a onda de ataques de criminosos, o que ocorreu na última reunião, em junho passado, com o secretário de segurança paulista, Antônio Ferreira Pinto, ocasião em que as questões de inteligência foram debatidas.

O ministro reiterou a oferta de vagas nos presídios federais de segurança máxima para isolar os líderes da organização, que estariam comandando atentados de dentro das celas, e o emprego de toda a estrutura de inteligência do governo federal. Cardozo também propôs a criação de um grupo de trabalho comum entre tropas da União - incluindo a Polícia Federal e a Força Nacional de Segurança Pública - e as de São Paulo. Mas deixou claro que não mandará recursos descolados de planejamento estratégico, como o que foi negociado com os governos do Rio em 2010 e o de Alagoas, neste ano.

O ministro deixou claro que a ajuda depende de que as partes sentem à mesa, resolvam diferenças de concepções e cheguem a um acordo. "Não é nossa intenção arcar com investimentos que possam ser custeados diretamente pelos cofres estaduais", enfatizou. A carta é o último capítulo de um bate-boca público alimentado nos últimos dias pelo secretário de segurança paulista, que acusa o ministro de "faltar à verdade" quando diz que ofereceu ajuda a São Paulo.

Cardozo disse que não vai alimentar polêmicas inúteis e espera que Alckmin ponha fim à animosidade de sua equipe, em nome dos interesses do povo paulista. "Não é hora de trazer disputas políticas à tona, mas de somar esforços no combate ao crime." O diálogo com Ferreira Pinto, todavia, ficou azedo porque ele deixou nas autoridades federais uma imagem de bravateiro e amador no combate ao crime.

A resposta do ministro decorre também da afirmação de autoridades paulistas que atribuem a responsabilidade pela violência no Estado ao governo federal, por suposta falta de fiscalização nas fronteiras. "É inaceitável, além de inverídica, essa afirmação", rechaçou Cardozo. O governo federal frisou que o governo paulista é quem deveria cuidar das divisas do Estado.

Reunião. Enquanto trocavam acusações publicamente, em sigilo representantes dos governos federal e estadual se reuniram ontem no Comando Militar do Sudeste (CMSE) e discutiram a situação da segurança pública no Estado. O secretário Antonio Ferreira Pinto tentou circunscrever a crise à relação política entre os governos federal (petista) e estadual (tucano). "Você sabe que não faço demagogia com a segurança Pública", disse o secretário ao delegado Roberto Troncon Filho, superintendente da PF em São Paulo.Troncon Filho tentou mostrar que as relações com a segurança paulista "continuam boas".

Participaram ainda o general de Exército Adhemar Machado Filho, o secretário de Estado da Administração Penitenciária, Lourival Gomes, o delegado-geral da Polícia Civil, Marcos Carneiro Lima, e o comando da PM, além de procuradores. / COLABOROU MARCELO GODOY

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