Governo federal propõe ocupar Paraisópolis

Secretária de Segurança Pública sugere usar modelo do Complexo do Alemão, com Força Nacional e Exército, em favela da zona sul

Alana Rizzo / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

01 de novembro de 2012 | 07h40

O governo federal vai propor uma ocupação da Favela de Paraisópolis, na zona sul de São Paulo, nos moldes do que foi feito no Complexo do Alemão, no Rio, em novembro de 2010. Vinculada ao Ministério da Justiça, a secretária Nacional de Segurança Pública, Regina Miki, defende a medida como forma de conter a onda de violência e garantir um trabalho integrado de inteligência no combate ao tráfico e às organizações criminosas.

"É uma crise. A gente estanca a crise e sai de lá, porque entende a autonomia e a competência do Estado", afirmou. "A ocupação de Paraisópolis poderia ser uma alternativa porque a cidade não para. Possivelmente, para colocar 600 policiais lá, você vai tirar de algum lugar."

Regina pretende negociar um plano integrado de segurança pública com o governo paulista. "A gente sabe que São Paulo não precisa de capacitação policial, não precisa de equipamentos. O orçamento da segurança de São Paulo é alto. A questão é aliar a inteligência, levar as forças federais e buscar as Forças Armadas em uma ocupação de Paraisópolis." O modelo de intervenção, segundo a secretária, seria aquele adotado pelas unidades de pacificação nas comunidades do Rio, feito em parceria com Forças Armadas, Força Nacional de Segurança Pública, PM e tropas de elite. "A gente fez isso no Rio. Você faz a dosimetria das forças, analisando cada caso. Por exemplo, aqui precisa só do Bope. Aqui mais do que o Bope, então traz as Forças Armadas, como ocorreu no Alemão", explicou. "Temos feito isso, analisando o que é preciso para cada caso. Sabemos que São Paulo tem expertise em segurança e eu mais do que ninguém conheço os policiais de São Paulo. Sei da competência deles, mas também sei que estão na ponta com medo por eles e pela família deles. A gente quer ajudar." A proposta do governo federal inclui ainda a criação de um grupo de trabalho para estudar os assassinatos de policiais. "Matar um PM é uma afronta à soberania do Estado."

Rio. A ocupação do Alemão ocorreu há dois anos e contou com apoio do Exército durante mais de um ano. Comandada por José Mariano Beltrame, a Secretaria de Segurança do Rio tem um plano detalhado de ocupações de regiões comandadas pelo tráfico e de instalação de Unidades de Polícia Pacificadoras (UPPs).

Durante a campanha eleitoral, a presidente Dilma Rousseff defendeu a experiência do Rio e anunciou implantação do modelo de policiamento comunitário em todo o País.

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