Governo federal libera R$ 6,4 mi para combate ao crack em SP

Ao lado do prefeito Kassab, Alexandre Padilha, ministro da sáude, diz que crack é um problema em todo país e classificou o avanço da droga de 'epidemia'

Wladimir D'Andrade, Agência Estado

18 de janeiro de 2012 | 14h34

O governo federal deu início hoje (18) à liberação de R$ 3,2 milhões para serem aplicados nos próximos seis meses em políticas de combate ao crack na cidade de São Paulo. Somados a mais R$ 3,2 milhões previstos para o segundo semestre, o repasse de recursos ao município totalizará R$ 6,4 milhões em 2012. A informação sobre a liberação foi divulgada durante visita do ministro da Saúde, Alexandre Padilha, e do prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, às obras do Complexo da Rua Prates, construído para abrigar e oferecer assistência médica e social a dependentes químicos na região central da capital paulista.

Ao todo, o Plano Nacional de Enfrentamento ao Crack do governo federal prevê o repasse de R$ 500 milhões para o Estado de São Paulo até 2014. Os R$ 6,4 milhões fazem parte desse montante.

Segundo o ministro, os recursos iniciais serão utilizados para a criação de 16 equipes de profissionais médicos e assistentes sociais que vão identificar e encaminhar a unidades especializadas os dependentes que necessitam de tratamento na cidade de São Paulo.

A verba também será destinada à inauguração de dez unidades de atendimento que irão aumentar em 100 a 150 o número de leitos utilizados para a internação de dependentes por longos períodos. A previsão é que essas unidades estejam prontas até o final de março. Além disso, segundo Padilha, está prevista a contratação de mais leitos em clínicas terapêuticas com os recursos liberados pelo governo federal.

"O crack é um problema de todo o País", afirmou o ministro, ao classificar o avanço da droga em território nacional como "epidemia". "É necessário uma integração entre assistência social e de saúde aos dependentes", completou. Já o prefeito Gilberto Kassab destacou a parceria entre os poderes executivos. "Esse é um trabalho que precisa ser feito em conjunto, Prefeitura, governo federal e governo estadual", disse.

As declarações de Padilha e do prefeito foram feitas no canteiro de obras do Complexo da Rua Prates, o primeiro da cidade que reunirá em apenas um lugar assistência social e de saúde para dependentes químicos. A construção está sendo conduzida pela Prefeitura paulistana, que ficará responsável pela assistência aos dependentes adultos e adolescentes. O governo federal cuidará do atendimento médico e ambulatorial.

O cronograma da Prefeitura prevê que o complexo funcionará a partir do começo de março, quando já deverão estar prontos o albergue para 1.200 pessoas e o centro de convivência. Até meados de março serão entregues o albergue das crianças e adolescentes e o restante da parte destinada à assistência social. No final de março, deverão funcionar os serviços médicos.

PM. Questionado se as ações de repressão da Polícia Militar (PM) na cracolândia pegaram o governo federal de surpresa, Padilha se esquivou de uma resposta direta. Disse que desde dezembro conversava com a Prefeitura paulistana e o governo estadual sobre a liberação dos repasses para o combate ao crack e minimizou o fato de o governo federal não ter sido avisado das operações da PM. "Existem várias ações no âmbito da Prefeitura que o Ministério não precisa ser avisado", afirmou.

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