Governo federal demora para agir e criticar seus aliados

Bastidores: João Domingos

O Estado de S.Paulo

17 de fevereiro de 2013 | 02h01

O governo federal tem mostrado dificuldades em agir quando há encrencas em terrenos aliados e muita agilidade quando a confusão está em Estados administrados pela oposição. Durante a onda de violência em São Paulo, no ano passado, o governo de Dilma Rousseff não teve nenhum constrangimento em emparedar o governador tucano Geraldo Alckmin. Com Raimundo Colombo (PSD), que passa por situação similar à de São Paulo em relação à violência, o governo federal optou pelo silêncio, pela discrição.

Apenas o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, teve atuação igual frente às crises em São Paulo e Santa Catarina. Aos dois Estados, ele prontamente ofereceu ajuda do governo federal. Enquanto o governador Alckmin recusava auxílio federal, ministros como Maria do Rosário, dos Direitos Humanos, e Ideli Salvatti, das Relações Institucionais, manifestaram-se sobre a crise em território paulista em tom crítico à escalada da violência.

O presidente nacional do PT, Rui Falcão, inundou sua página no microblog Twitter com links para material com críticas à forma como Alckmin lidava com a crise da criminalidade.

No caso de Santa Catarina, o comportamento dos ministros tem sido o oposto. Nem Ideli Salvatti - que é de Santa Catarina e, na disputa para o governo em 2010, foi derrotada pelo neoaliado Colombo - fez qualquer declaração pública sobre os ataques em seu Estado. A Assessoria de Imprensa de Maria do Rosário informou que ela está em silêncio porque coube ao Ministério da Justiça falar pelo governo federal na questão que envolve a onda de violência em Santa Catarina.

Na crise de São Paulo, no entanto, Cardozo imediatamente ofereceu ajuda ao governador Geraldo Alckmin e se tornou também o porta-voz do governo federal. Mesmo assim, Maria do Rosário se solidarizou com as famílias das vítimas da violência.

Ainda de acordo com a assessoria da ministra, o apoio às vítimas e as críticas ocorreram porque Alckmin demorou demais a aceitar a parceria oferecida pelo governo de Dilma Rousseff. No Planalto, a justificativa é de que as críticas foram feitas por causa da demora de Alckmin e porque a violência durou várias semanas.

Rui Falcão só suspendeu temporariamente as manifestações contra Alckmin nos dias que se seguiram ao acordo fechado entre o governador e José Eduardo Cardozo, em 6 de novembro. Cerca de 15 dias depois, ele voltou ao ataque, o que faz até agora.

No acordo entre Alckmin e Cardozo, foi anunciada a criação de uma agência de inteligência com atuação integrada entre os governos estadual e federal, encarregada de fazer um plano de contenção da violência. Também foram acertadas transferências de presos, vigilância nos acessos ao Estado, combate ao tráfico e uso de crack, possibilidade de se criar um centro pericial e um centro de comando de controle integrado.

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