Governo federal acusa São Paulo de adiar plano do Cantareira

Agência reguladora do manancial cobra redução da retirada de água do sistema, mas secretário paulista nega acordo

Fabio Leite, O Estado de S. Paulo

18 Setembro 2014 | 21h20

SÃO PAULO - A Agência Nacional de Águas (ANA) cobrou nesta quinta-feira, 18, do governo de São Paulo um acordo que teria sido firmado em agosto para reduzir o volume de água retirado do Sistema Cantareira para abastecer a Grande São Paulo a partir do próximo dia 30. Em nota, o órgão gestor do manancial ainda acusa a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) de adiar sucessivamente a entrega de um plano de operação do sistema até abril de 2015.

No dia 29 de agosto, a ANA divulgou que havia um acordo com o governo Geraldo Alckmin (PSDB) para reduzir a vazão de retirada de água do Cantareira para a Grande São Paulo para 18,1 mil litros por segundo a partir do dia 30 de setembro, e para 17,1 mil litros por segundo a partir de 31 de outubro. Neste mês, a Sabesp tem retirado dos reservatórios uma média de 19 mil litros por segundo. Antes da crise, a retirada era de 30 mil litros.

À época, o governo Alckmin negou que existisse acordo. Nesta quinta, porém, a ANA afirmou que o acerto foi feito pessoalmente entre o presidente da agência, Vicente Andreu, e o secretário paulista de Saneamento e Recursos Hídricos, Mauro Arce. Segundo o órgão federal, “esta indefinição” e o “sucessivo adiamento” do plano de operação da Sabesp “dificultarão o necessário ajuste entre as disponibilidades e demandas por água nas regiões atendidas por este sistema”.

Nesta quinta, Arce repetiu que não há acordo. “Não houve fechamento (de acordo). Tratamos de ideias. Não foi uma coisa final para ser colada no site. Ainda estamos discutindo”, disse o secretário, que reclamou de uma suposta demora da ANA para reduzir a vazão do Rio Paraíba do Sul, que também sofre com a seca, para o Rio de Janeiro.

Em meio à polêmica, as prefeituras e indústrias da região de Campinas pediram ao comitê da Bacia dos Rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí (PCJ) que aumente de 4 para 5 mil litros por segundo a vazão do Cantareira para a região. A proposta ainda será analisada. O volume de água que chega ao sistema continua abaixo da mínima histórica neste mês.




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