Governo diz que só negocia quando metrô voltar a funcionar

Do outro lado, presidente do sindicato diz que quer negociar para greve terminar ainda nesta sexta

03 de agosto de 2007 | 08h55

O presidente do sindicato dos metroviários de São Paulo, Flávio Godoi, afirmou nesta sexta-feira, 3, que espera que o Metrô volte a funcionar normalmente ainda nesta sexta. Em entrevista à Rádio Eldorado, Godoi disse que as negociações com a Secretaria Estadual dos Transportes pode dar fim à greve. Enquanto isso, José Luiz Portella, secretário dos Transportes, afirmou que só negocia quando os metroviários voltarem ao trabalho.    Portella só negocia com Metrô funcionando  Sindicato quer que greve termine nesta sexta São Paulo enfrenta segundo dia de caos Veja o mapa e as linhas com trens parados  Como fica o transporte nesta sexta-feira    Segundo Portella, as negociações só vão acontecer quando os metroviários cumprirem a determinação do Tribunal Regional do Trabalho (TRT) e operarem com 85% da capacidade do metrô. O secretário acusou o presidente do sindicato de não assumir a responsabilidade do cargo e afirmou que Godoi quer privatizar o Metrô, já que a população sofre a partir de uma situação criada pelo sindicato.   Em entrevista à Rádio Jovem Pan, Portella afirmou que não tem dúvidas de que a disputa na eleição para a presidência do sindicato está influenciando na greve da categoria. "Há duas correntes sempre em briga pelo poder no sindicato. Agora, cada um quer posar de mais valente. Isso faz com que a população acabe sofrendo por uma disputa eleitoral".   Enquanto isso, Godoi afirmou que falta bom senso do governo de São Paulo. O presidente do sindicato alegou que as negociações acontecem desde março e não há 15 dias, como declarou Portella. Para ele, os metroviários têm direito de fazer greve para reivindicar seus direitos.   Reivindicações   Os metroviários entraram em greve na quinta-feira, 2, e reivindicam pagamento da Participação dos Resultados (PR) da empresa. Para o secretário dos transportes, está é uma discussão complicada, já que os metroviários pedem a PR relativa ao ano de 2007. Para ele, não há como discutir isso enquanto o ano não acabar. Do outro lado, o presidente do sindicato diz que a PR é discutida todos os anos e que ela pode ser antecipada, como se faz há 10 anos.     Godoi também afirmou que fica preocupado com a ameaça de demissão aos funcionários que participam da greve e diz que está difícil negociar com Portella, o acusando de intransigência. O presidente do sindicato alega que os metroviários fazem um trabalho de boa qualidade, mesmo operando com menos trabalhadores. Godoi deu como exemplo um comparativo entre os anos de 2003 e 2007. Em 2003, o Metrô tinha 8.100 funcionários, que transportavam 2,5 milhões de pessoas por dia; hoje, são 7.500 funcionários transportando 3 milhões de passageiros diariamente.   Texto alterado às 9h18 para acréscimo de informações.

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