Governo descarta desativar aeroporto do Campo de Marte

Afirmação do ministro-chefe da Secretaria da Aviação Civil, Moreira Franco, atrapalha projeto da gestão Haddad de restringir o uso do local para promover maior adensamento na região

Fabio Leite , O Estado de S. Paulo

13 Fevereiro 2014 | 19h45

SÃO PAULO - O ministro-chefe da Secretaria da Aviação Civil, Moreira Franco, descartou nesta quinta-feira, 13, a desativação do aeroporto do Campo de Marte, na zona norte de São Paulo, enquanto não forem construídas alternativas para voos executivos e comerciais para atender a demanda da capital paulista.

A restrição do local apenas para o uso de helicópteros é uma ideia defendida pelo prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), para promover um adensamento maior da região, que tem boa oferta de infraestrutura, através do projeto chamado Arco do Futuro, uma de suas principais promessas de campanha. 

"Antes de uma definição clara de um novo aeroporto comercial em São Paulo e de dois aeroportos executivos, não há possibilidade de desativação", afirmou Franco, após uma reunião com Haddad e o presidente da Infraero, Gustavo do Vale, na sede da Prefeitura, no centro da capital.

Hoje, o Campo de Marte opera cerca de 130 mil voos por ano, incluindo aviões e helicópteros. Para adensar a região, contudo, é preciso restringir os aviões e liberar o espaço aéreo local para a construção de prédios. A proposta ainda está em discussão na revisão do Plano Diretor Estratégico (PDE), que tramita na Câmara Municipal.  

Alternativas. Ao dizer que a desativação imediata é impossível, o ministro listou os três projetos de aeroportos que serviriam como alternativa ao Campo de Marte, entre os quais o aeroporto de Parelheiros, na zona sul da capital, cujo projeto é da empresa de um dos filhos do presidente da Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, pré-candidato ao governo paulista pelo PMDB, mesmo partido de Franco.

Este projeto recebeu parecer contrário da Secretaria Municipal do Verde e Meio Ambiente na gestão Haddad. Os outros dois projetos são o aeroporto executivo de São Roque, no interior do Estado, que já tem licença ambiental, e o novo aeroporto comercial de São Paulo, que ficaria em Caieiras, ainda em fase embrionária de estudo.

"Com a alternativa desses três aeroportos nós poderemos pensar na desativação do aeroporto Campo de Marte para aviões, ficando ele exclusivamente para helicópteros", disse Franco. "Se não tivermos uma alternativa de oferta para cumprir a obrigação de garantir conforto, segurança e tranquilidade aos passageiros, não podemos pensar em desativá-lo", completou.

Segundo o presidente da Infraero, Gustavo do Valle, a transferência dos voos do Campo de Marte para outros aeroportos ocorreria de forma gradativa, mas apenas dentro de dois ou três anos, ou seja, no fim da gestão Haddad.

"Diria que dois ou três anos é um tempo razoável para que esses novos aeroportos estejam prontos", disse Vale. De acordo com ele, o Campo de Marte tem 119 funcionários da Infraero e outros 3 mil indiretos que seriam remanejados para as outras unidades.

Mais conteúdo sobre:
aeroporto Campo de Marte

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.