Governo de SP planeja mais 44 piscinões

Obras devem dobrar armazenamento na Região Metropolitana; 30 serão por PPP

Artur Rodrigues e Rodrigo Burgarelli, O Estado de S. Paulo

23 Março 2012 | 22h36

SÃO PAULO - O governo do Estado planeja construir 44 piscinões até 2018 para amenizar o problema das enchentes na Grande São Paulo. As obras, quando concluídas, devem aumentar a capacidade de armazenamento dos atuais 10 milhões de metros cúbicos de água para 22 milhões de m³. Hoje, a Região Metropolitana tem 51 reservatórios pluviais.

"Não podemos dizer que vai acabar com as enchentes, mas vai aumentar muito mais a nossa confiabilidade", disse o secretário de Saneamento e Recursos Hídricos, Edson Giriboni.

Trinta piscinões serão construídos por meio de Parceria Público-Privada (PPP), com investimentos de R$ 1,8 bilhão em obras e outros R$ 3,1 bilhões para a manutenção e limpeza dos piscinões. O contrato terá vigência de 25 anos e prevê tanto a construção quanto os serviços de preservação dos reservatórios. Os outros 14 piscinões são planejados ou serão construídos diretamente pelo governo.

Ao fim das obras, a Grande São Paulo deve atingir a marca de 95 piscinões. Apesar do ritmo acelerado, que prevê construir em seis anos quase tanto quanto foi feito nos últimos 14 anos, a vazão ainda não atinge a meta prevista no atual plano estadual de macrodrenagem. Pelo projeto, deveriam ser construídos 143 piscinões, com capacidade total de 35 milhões de m³.

Meta municipal. A meta principal do Plano Municipal de Manejo de Águas Pluviais da Prefeitura de São Paulo é livrar a capital das enchentes em 2040. Pelo projeto, as campeãs de inundações são as Bacias do Aricanduva e do Cabuçu de Baixo (afluentes do Rio Tietê), do Ipiranga (afluente do Tamanduateí) e Córregos Verde, Morro do S e Cordeiro (afluentes do Rio Pinheiros).

Na esfera municipal, os piscinões devem perder lugar para parques lineares e obras nas calhas dos rios. A falta de terrenos disponíveis e a resistência dos vizinhos dos equipamentos, que alegam que os reservatórios geram desvalorização imobiliária, estão entre os motivos para a substituição dos projetos.

O Estado revelou que piscinões são transformados em cracolândias por usuários de crack que se aproveitam, por exemplo, da falta de vigilância nos locais.

Críticas. O engenheiro e ex-presidente da Agência da Bacia do Alto Tietê Julio Cerqueira Cesar Neto é contra a construção de piscinões. Para ele, seria preciso aumentar a vazão do Rio Tietê, o grande dreno da Região Metropolitana. "A calha do Tietê já era insuficiente em 1998, essa é a causa dos problemas. Pretender resolver isso com piscinões é fora de propósito", disse Cesar Neto.

O especialista afirmou que áreas onde há grande presença de piscinões continuam sendo cenários frequentes de enchentes. "A região do Rio Tamanduateí tem 20 piscinões. Quando chove por lá, há inundações duas vezes por semana", disse. Ele afirmou que a limpeza correta da calha dos Rios Tietê e Pinheiros ajudaria a amenizar o problema.

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