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Governo de SP anuncia que vai antecipar vacinação no Estado e flexibiliza regras para o comércio

Em coletiva de imprensa nesta quarta, o governador João Doria (PSDB) informou que foram compradas 4 milhões de doses adicionais da Coronavac

Júlia Marques, O Estado de S.Paulo

07 de julho de 2021 | 12h36
Atualizado 07 de julho de 2021 | 18h56

O governo de São Paulo anunciou nesta quarta-feira, 7, que antecipará o calendário de vacinação contra a covid-19 no Estado.  A medida será possível, segundo o governador João Doria (PSDB), por causa da compra de 4 milhões de doses adicionais da Coronavac, diretamente com a farmacêutica chinesa Sinovac. O novo calendário de vacinação no Estado não foi divulgado. O governo também anunciou a flexibilização das regras para o funcionamento do comércio e de escolas, diante da redução das taxas de hospitalização no Estado. 

De acordo com Doria, foram adquiridas diretamente com a Sinovac 4 milhões de doses da Coronavac para a imunização em São Paulo. Destas, 2,7 milhões chegam nesta quarta-feira a São Paulo e até o dia 26 de julho o Estado deverá receber o restante. "Negociamos diretamente com o laboratário Sinovac essa aquisição e a aceleração da entrega para o Estado de São Paulo. As vacinas já vêm prontas para a aplicação", disse.

"Já obtivemos a autorização da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). A compra foi feita pelo governo de São Paulo e paga pelo governo de São Paulo. Isso não entra no Plano Nacional de Imunização, mas no Plano Estadual de Imunização", informou o governador. A compra estadual, segundo Doria, é amparada em decisão do Supremo Tribunal Federal (STF). 

O governo não informou as novas datas para a vacinação dos paulistas nem se haverá ampliação de públicos prioritários, com inclusão de bancários e funcionários dos Correios, como aprovado pelo Ministério da Saúde. Hoje, o calendário prevê vacinar com a primeira dose todas as pessoas acima de 18 anos até o dia 15 de setembro. 

Segundo o secretário estadual da Saúde, Jean Gorinchteyn, a vacinação dos adultos pode ocorrer "bem antes" de 15 de setembro. Uma nova coletiva de imprensa com detalhes sobre a antecipação das datas deve ocorrer antes de domingo, segundo o governador. 

O diretor do Instituto Butantan, Dimas Covas, disse ainda que há a possibilidade de antecipação da segunda dose para as vacinas que estão sendo aplicadas com intervalo de três meses no Brasil (Pfizer e AstraZeneca).

O tema será discutido pelo governo paulista nesta quinta-feira, 8. O avanço da variante Delta do coronavírus no Brasil traz preocupações adicionais sobre a proteção das vacinas com intervalo maior de aplicação entre as doses. Uma eventual decisão de reduzir o intervalo entre as doses, porém, pode atrasar a vacinação de jovens com a primeira dose. 

"Também precisamos ter mais doses dessas outras vacinas (Pfizer e AstraZeneca) para que esse intervalo possa ser estabelecido. Se não tiver esse alento dado pela chancela e liberação do Ministério (da Saúde), por mais que essa decisão aconteça, operacionalmente terá entraves", completou Gorinchteyn. 

Segundo o governo do Estado, a entrega das doses da vacina Coronavac prometidas ao Ministério da Saúde será antecipada em 30 dias. A Coronavac é produzida no Instituto Butantan, em São Paulo. Um total de 100 milhões de doses deveriam ser entregues ao Ministério da Saúde no fim de setembro, mas, de acordo com o governo, será possível completar a entrega até o dia 30 de agosto.

O Butantan já entregou 53 milhões, segundo Dimas Covas. Na semana que vem, serão entregues mais 10 milhões de doses da Coronavac ao Ministério, segundo o governador. E, no dia 14 de julho, está prevista a chegada de mais 12 mil litros de insumos para produzir 20 milhões de doses até o fim de agosto.

"Vamos até ultrapassar os 100 milhões de doses previstas (para entregar ao Ministério da Saúde). Vamos ter uma sobra de vacinas que poderão ser encaminhadas ao Estado de São Paulo e a outros Estados, da mesma forma que prevemos também o atendimento de países vizinhos, como um compromisso assumido junto à Sinovac e a outros países", disse Dimas Covas.   

Comércio pode funcionar até as 23 horas

Em coletiva nesta tarde, Doria também anunciou a ampliação em duas horas do horário de funcionamento do comércio a partir de sexta-feira, 9. Os estabelecimentos comerciais poderão funcionar até as 23 horas - até agora, o limite era até as 21 horas. Já a capacidade máxima dos estabelecimentos será estendida de 40% para 60%.

As normas valem para estabelecimentos comerciais em geral, incluindo shoppings e galerias. Nesses espaços, o acesso de clientes pode ser feito até as 22 horas, com encerramento das atividades às 23 horas. Os pedidos de refeições em restaurantes também devem se encerrar às 22 horas. A flexibilização nas regras para o comércio vigora até o dia 31 de julho. 

Houve mudanças ainda na regra para o funcionamento das escolas no Estado. Nesta quarta-feira, o governo de São Paulo publicou um decreto que retira o limite máximo de alunos nas escolas da educação básica. Até agora, valia a regra de até 35% dos estudantes nos colégios. A volta do ensino superior e do ensino técnico presencial também foi liberada.

As faculdades deverão seguir os limites máximos relativos ao comércio, ou seja, poderão receber alunos com limitação de 60% da capacidade. Já as aulas práticas no ensino superior poderão funcionar sem restrição de alunos. As regras para o ensino superior, segundo o secretário da Educação, Rossieli Soares, valem a partir do dia 2 de agosto - ou seja, no segundo semestre. 

De acordo com a Secretaria da Saúde, o total de novos casos, internações e mortes provocadas pelo coronavírus está em queda em São Paulo nas últimas semanas. Em uma semana, houve redução de 20,6% no número de casos, de 11,4% nas internações e de 10,6% nos óbitos.

Governo de SP vai fazer eventos-teste

O governo informou ainda que vai realizar 30 eventos-teste a partir do dia 17 de julho. Os protocolos para a realização de eventos com público incluem vacinação, testagem e uso de máscaras. Segundo a secretária de Desenvolvimento Econômico do Estado de São Paulo, Patrícia Ellen, haverá monitoramento para acompanhar o impacto dos eventos em relação ao contágio pelo coronavírus. 

O primeiro evento-teste será a Expo Retomada, em Santos, evento com foco na demonstração de protocolos sanitários. Em novembro, haverá o GP São Paulo de Fórmula 1 e, em agosto, uma corrida simbólica. Também estão previstos eventos noturnos, com música ao vivo. "O objetivo é impulsionar a retomada segura do setor de eventos, lazer e turismo no Estado", disse Doria. 

Segundo a tabela de eventos-teste apresentada pela secretária Patrícia Ellen, estão previstos shows no Allianz Parque, na zona oeste de São Paulo, em outubro e novembro, e a realização da Campus Party, festival de tecnologia e inovação, no fim de outubro no centro de eventos do Anhembi, também na capital paulista. 

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