Paulo Liebert/Estadão
Paulo Liebert/Estadão

Governo de SP adere a bilhete mensal, mas estuda criar cartão próprio

Gestão Alckmin decidiu adotar benefício criado pela Prefeitura de São Paulo; anúncio oficial só deve sair no fim da semana

Caio do Valle, O Estado de S. Paulo

18 Novembro 2013 | 15h26

Atualizada às 18h03.

SÃO PAULO - O governo do Estado decidiu aderir ao bilhete único mensal, projeto da Prefeitura de São Paulo que permitirá aos passageiros fazer quantas viagens quiserem de transporte público no período de um mês, por um preço fixo. Com isso, o Metrô e a Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) integrarão a rede que aceitará o benefício, e não apenas os ônibus da São Paulo Transporte (SPTrans). Apesar disso, um bilhete mensal "exclusivo dos trilhos" também deverá ser lançado.

Em uma reunião na manhã desta segunda-feira, 18, o prefeito Fernando Haddad (PT) e o secretário municipal dos Transportes, Jilmar Tatto, receberam representantes do governador Geraldo Alckmin (PSDB), entre eles, os secretários dos Transportes Metropolitanos, Jurandir Fernandes, e da Casa Civil, Edson Aparecido. Os porta-vozes do tucano foram comunicar o petista da decisão de Alckmin de adotar o bilhete único mensal, uma das principais promessas de campanha de Haddad para a mobilidade urbana.

Segundo apurou o Estado, o governo Alckmin planeja fazer o anúncio oficial da adesão na quinta-feira, 21, ou na sexta-feira, 22. Uma nova reunião marcada para esta terça-feira, 19, discutirá se o valor do bilhete único mensal continuará sendo de R$ 140, que foi prometido por Haddad. O governo do Estado apresentou três propostas de valor. Agora, com a adesão da rede metroferroviária, o preço poderá ser maior ou menor, de acordo com uma fonte ouvida pela reportagem.

Os técnicos de ambos os lados estão discutindo os ajustes que definirão o valor exato. O bilhete único mensal deve começar a valer para todos os sistemas no dia 30 de novembro, data anunciada por Haddad e Tatto no início do mês.

Outro detalhe que ficou estabelecido é que o usuário terá que esperar 30 minutos para poder usar novamente o bilhete único mensal na catraca. A medida é para evitar fraudes e valerá para ônibus, metrô e trens.

Bilhete 'sobre trilhos'. O governo do Estado também estuda criar o seu próprio cartão mensal, exclusivo para a rede metroferroviária. Ele não valerá para os ônibus da SPTrans, só para o Metrô e para a CPTM. O custo desse bilhete ainda não foi definido. Haddad teria "aprovado" a criação desse bilhete na reunião desta segunda-feira.

Esse novo cartão, porém, teria um papel bastante próximo do chamado Cartão Fidelidade, que existe desde 2011 no Metrô e na CPTM e que permite fazer um número limitado de viagens por um preço mais barato ao longo de uma semana ou de um mês. Oficialmente, a Secretaria Estadual dos Transportes Metropolitanos não confirmou a criação do novo bilhete temporal.

"O bilhete único mensal teria um alcance pequeno se não fosse integrado com o Metrô e a CPTM, ia ser um negócio muito pequeno, que não ia dar certo", disse uma fonte do governo Alckmin. Segundo ela, prefeito e governador já haviam conversado sobre o assunto. Na semana passada, Alckmin fez uma reunião para tratar do assunto.

Com a adesão do sistema sobre trilhos, o interesse pelo bilhete único mensal deve crescer bastante. Até o começo da semana passada, 120 mil pessoas já haviam se cadastrado no site da SPTrans para recorrer ao benefício. A avaliação é de que, com a entrada do Metrô e da CPTM no "páreo", esse número pode chegar mais rápido perto da projeção inicial de 2 milhões de interessados.

O cadastro, gratuito, pode ser feito no site http://bilheteunico.sptrans.com.br.

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