Governo de SP acusa Cade de vazamento e compara órgão a 'polícia política'

Secretário-chefe da Casa Civil classificou como 'calúnia' qualquer insinuação de que o governador tinha ciência de cartel em obras do Metrô e da CPTM

Bruno Ribeiro , O Estado de S. Paulo

02 de agosto de 2013 | 15h13

SÃO PAULO - O governo de Geraldo Alckmin (PSDB) acusou o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), órgão ligado ao Ministério da Justiça, de promover um "vazamento seletivo" de informações sobre a investigação em curso para apurar fraudes ligadas a contratos do Metrô e da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM). O secretário-chefe da Casa Civil do governo paulista, Edson Aparecido, usou termos como "polícia política" para descrever o Cade e afirmou que qualquer insinuação de que o governador tinha ciência da suposta participação de agentes do Estado nos esquemas fraudulentos eram "calúnias".

"O que nós temos visto, continuamente, é um processo de vazamento seletivo, o que na nossa forma de ver é absolutamente inacreditável. O Cade utiliza um acordo de leniência para não divulgar (para o Estado) os documentos (que fazem parte da investigação) e ficamos sabendo pelo Estado", disse Aparecido.

O acordo de leniência citado pelo secretário foi firmado entre o Cade e a multinacional alemã Siemens. A empresa concordou em delatar o cartel formado para atuar nas obras do Metrô e da CPTM em troca de imunidade. As investigações ainda estão em andamento.

A queixa do Estado é que o Cade não está repassando informações apuradas até o momento para que a Corregedoria-Geral da Administração apure, ela mesma, irregularidades.

As suspeitas envolvem contratos firmados pelo governo desde a época que o governador Alckmin ainda era vice de Mário Covas, morto em 2002.

Justiça. O governo anunciou ainda que deve entrar na Justiça para ter acesso à investigação do Cade. Em 2010, quando reportagem do jornal Folha de S. Paulo antecipou o resultado da licitação para obras da Linha 5-Lilás do Metrô, o Estado também optou por, primeiramente, investigar a forma como a denúncia foi feita, para depois as acusações em si contra o governo.

O corregedor-geral da Administração, Gustavo Ungaro, encarregado de verificar se o cartel denunciado pela Siemens realmente existiu e qual o tamanho do prejuízo causado aos dinheiro público, admitiu que, embora o Estado já tenha contatado a Siemens, a corregedoria ainda não colheu o depoimento da empresa.

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