Governo de São Paulo muda o comando da Polícia Militar

Coronel Camilo assume; Antão, cotado para a vaga, terá lugar importante e pode ocupar o subcomando geral

Marcelo Godoy,

25 Março 2009 | 22h53

O novo comandante-geral da Polícia Militar de São Paulo é o coronel Álvaro Batista Camilo. Ele tomará posse no dia 15, quando o atual comandante, coronel Roberto Antônio Diniz, passará para a reserva. Até lá, o período será de transição. Uma coisa já é certa no próximo comando: o coronel Danilo Antão Fernandes terá participação importante, podendo ocupar o subcomando geral.

 

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Baleado em frente ao Palácio dos Bandeirantes durante o confronto entre a Tropa de Choque da PM e policiais civis grevistas, o coronel Antão era um dos mais fortes candidatos a comandante e, ao contrário de outros, mesmo não tendo sido escolhido, terá lugar importante. Camilo superou concorrentes como o coronel Wagner César Gomes de Oliveira Tavares Pinto, que tinha defensores no governo, embora a secretaria não confirme.

 

A decisão sobre o novo comandante ocorreu em reunião na segunda-feira da qual participaram o governador José Serra, o secretário-chefe da Casa Civil, Aloysio Nunes Ferreira Filho, e o secretário da Segurança, Antônio Ferreira Pinto. César foi descartado por seus defensores após a análise de seu histórico na PM.

 

A escolha final recaiu sobre dois nomes: Antão e Camilo. A favor de Antão havia o seu trabalho na região oeste de São Paulo e de seu papel no confronto em frente ao Palácio. Camilo acabou escolhido em função de sua carreira e de sua formação.

 

A decisão foi mantida em sigilo, o que permitiu a outro candidato, coronel Jorge Luis, tentar se viabilizar politicamente. A movimentação anteontem de seu grupo fez com que o anúncio do nome de Camilo fosse adiantado. A escolha de Camilo e o ascensão de Antão mostram que o governo aposta na polícia comunitária, nas ações de inteligência e no planejamento para o combate à criminalidade.

 

Camilo saiu aspirante em 1981. É, portanto, da mesma turma da Academia de Oficiais que o secretário-chefe da Casa Militar, coronel Luiz Massao Kita. Ele trabalhou na 2ª Seção do Estado-Maior (Informações) da PM. Passou pela Coordenadoria de Análise e Planejamento (CAP), da secretaria, onde se aproximou da comunidade acadêmica, e assumiu há dois anos o Comando de Policiamento de Área Metropolitano 1, responsável pelo centro de São Paulo. Adepto da polícia comunitária, Camilo criou um programa de aproximação com a comunidade GLS da região, alvo de delitos ligados à intolerância.

 

Internamente, ele era tido como um candidato forte. Isso não quer dizer que seu nome não enfrentasse resistências. Ele é o 37º coronel mais antigo da lista de coronéis - antiguidade é um dos critérios hierárquicos na PM. Isso significa que Camilo ultrapassou 36 coronéis, todos preteridos na escolha. São oficiais das turmas de 1977 (1), 1978 (14), 1979 (9) e 1980 (9).

 

Embora não seja obrigatório, muitos podem, por isso, ir para a reserva - no dia 15 será a vez de seis que se aposentam por força de lei. Espera-se que outros coronéis sigam esse caminho espontaneamente, fazendo a lista aumentar.

 

Mas, se alguns coronéis mais antigos podem se opor a Camilo, o fato de a sua turma (1981) contar com 21 coronéis dos 57 da PM é algo a favor do novo comandante. Uma de suas primeiras medidas será preparar um plano de ação para a corporação. O coronel não quis dar entrevista ontem. Sua assessoria informou que ele precisa reunir informações sobre toda a corporação. Por enquanto, ele ocupará um gabinete de transição no Quartel do Comando Geral ao lado do que é usado pelo coronel Diniz, que pretende ficar no comando até o dia 15.

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