Tasso Marcelo/AE
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Governo culpa condutor morto por acidente de bonde

Segundo secretário de Transportes, ele optou por usar veículo que precisava de reparos; tragédia deixou outros 4 mortos e 57 feridos

Alfredo Junqueira, Fábio Grellet e Tiago Rogero / RIO, O Estado de S.Paulo

30 de agosto de 2011 | 00h00

O governo do Estado do Rio está tentando se eximir da responsabilidade sobre o acidente com o bondinho de Santa Teresa e jogar a culpa pela tragédia no condutor do veículo, Nelson da Silva, de 57 anos. Com 35 de experiência e personagem querido do tradicional bairro do centro do Rio, o motorneiro foi um dos cinco mortos no acidente, que deixou outros 57 feridos - 13 ainda internados em hospitais da cidade.

 

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O secretário estadual de Transportes, Julio Lopes, voltou a alegar ontem que o bonde havia colidido com um ônibus menos de uma hora antes do acidente. O veículo chegou a ser levado para a oficina, mas, segundo o secretário, Silva continuou conduzindo-o mesmo sem reparos.

No Espírito Santo para participar de evento sobre royalties do petróleo, o governador Sérgio Cabral (PMDB) se recusou a falar sobre o acidente. Sua assessoria de imprensa chegou a solicitar que repórteres não fizessem perguntas sobre a tragédia. "Quem poderá apontar o culpado é a polícia. Por enquanto, tudo o que sabemos é o que foi registrado por escrito (no livro de ocorrências dos bondes)", disse Lopes. "Às 15h20, o bonde n.º10 colidiu com um ônibus, foi retirado do local e o motorneiro Nelson decidiu recolhê-lo. Ao subir (pelos trilhos rumo à oficina), ele se recusou a receber passageiros. Depois não sabemos o que houve", disse.

A entrevista de Lopes foi acompanhada pela Associação de Moradores de Santa Teresa. "Estou enojada. Ele (Lopes) jogou a culpa no morto, que não pode se defender", protestou a presidente da entidade, Elzbieta Mitkiewicz. Os moradores tentaram colocar uma faixa de protesto no local, mas foram impedidos por assessores de Lopes. O serviço de bondes está interrompido desde sábado, sem previsão de ser retomado.

Inquérito. A tentativa de culpar o motorneiro morto não deve surtir efeito. Ontem, ao instaurar inquérito civil para apurar o caso, o promotor de Defesa do Consumidor e do Contribuinte da Capital, Carlos Andresano, foi taxativo ao afirmar que a responsabilidade é do Estado, que administra o sistema de bondes. Segundo o delegado Tarcísio Jansen, titular da 7.ª DP (Santa Teresa), os responsáveis pelo acidente serão indiciados por homicídio culposo (quando não há intenção de matar) e lesão corporal culposa. / COLABOROU KELLY LIMA, ENVIADA ESPECIAL A VITÓRIA

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