Governo convoca funcionários por telegrama e ameaça começar demissões

220 mensagens foram enviadas para pressionar condutores a comparecerem no turno das 14h; outras 220 serão mandadas

Rafael Italiani, O Estado de S. Paulo

06 de junho de 2014 | 12h28

Atualizado às 12h45

SÃO PAULO - O governo do Estado tentará, na Justiça, antecipar a decretação de ilegalidade da greve dos metroviários. O secretário de Estado dos Transportes Metropolitanos, Jurandir Fernandes, disse que o Estado enviará uma petição ao Tribunal Regional do Trabalho ainda na tarde desta sexta-feira, 6, solicitando que o Judiciário decrete a greve ilegal. "O que a Justiça vai definir, não temos certeza. Mas o que vier, é para cumprir. Imediatamente, terão de cumprir. Se não vierem, pode começar a emitir demissões", disse.

Paralelamente, o governo enviou nesta manhã 220 telegramas para pressionar condutores de trens a comparecerem no turno das 14h. Outras 220 cartas serão enviadas para os funcionários que trabalham à noite. "Isso serve como documento comprobatório para depois não alegarem ignorância", informou Fernandes.

O secretário comentou a ação da PM na manhã de hoje na Estação Ana Rosa, quando policiais agrediram os grevistas com bombas de gás e balas de borracha. Disse que manteve contato com o governador Geraldo Alckmin (PSDB) e o secretário de Estado da Segurança Pública, Fernando Grella Vieira, para pedir reforço policial. "Eu tinha exposto ao governador que havia risco hoje de situação de radicalização. Nas primeiras horas, recebi as informações de que eles ocupavam duas estações. O governador foi muito tranquilo e pediu de energia, dentro da lei".

A Estação Ana Rosa é estratégica, uma vez que é de lá que os funcionários partem para as demais estações. Se os piquetes impedissem o acesso dos funcionários, a operação ficaria ainda mais prejudicada do que já está.

Fernandes afirmou ainda que espera transportar 3 milhões de passageiros hoje. Ontem, com metade das estações abertas, o Metrô transportou 1,8 milhão de pessoas, segundo Fernandes. Em dias comuns, há 4,5 milhões de usuários.

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