Governo avalia construir ponte para ligar Santos a Guarujá

Ideia inicial era fazer um túnel entre as duas cidades litorâneas; empresa estuda qual das opções é melhor

Rejane Lima, O Estado de S.Paulo

27 Março 2009 | 14h06

Com a expectativa de ser concluído até 15 de abril, o estudo que avalia a melhor opção de projeto e localização de uma ligação seca entre Santos e Guarujá, em substituição ao sistema de balsas, está considerando a construção de uma ponte estaiada além de um túnel submarino. A informação foi divulgada pelo deputado estadual Paulo Alexandre Barbosa (PSDB), presidente da Frente Parlamentar para uma nova interligação entre Santos e Guarujá, após reuniões com o Secretário dos Transportes, Mauro Arce, e com o presidente da Dersa, Délson José Amador.

 

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De acordo com o deputado, a decisão política de se construir uma ligação por terra entre os dois municípios já foi tomada e o que será discutido agora atende ao critério técnico. Em janeiro, o governador José Serra anunciou que a construção de túnel começaria ainda esse ano. Depois disso, o governo contratou a Companhia Paulista de Desenvolvimento (CPD) para realizar um estudo viabilidade técnica e econômica.

 

"O governo encomendou estudo técnico profundo, bastante amplo e abrangente para fazer a escolha mais adequada. Dentro dessa ótica, surgiu a possibilidade dessa ponte estaiada, que é uma solução já existente em alguns lugares do mundo, mas a Frente parlamentar não vai defender ou criticar nenhum tipo de proposta sem antes ter o estudo técnico nas mãos", afirmou Barbosa.

 

Barbosa explica que o motivo de a proposta da ponte ter voltado à discussão é um entrave encontrado na engenharia das desembocaduras do possível túnel, sendo que as pontes estaiadas são utilizadas quando há necessidade de grandes vãos, como o requerido para a passagem dos navios. Além disso, um túnel precisaria estar a mais de 20 metros de profundidade no canal do Estuário, para fugir do calado necessário para o tráfego dos navios.

 

A sugestão inicial era de 20 metros, entretanto a Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp) teria pedido à Dersa uma profundidade maior. Já quando a altura da ponte, o diretor presidente da Codesp, José Correia Serra, se limita a dizer que será determinada pelo estudo.

 

A prefeita do Guarujá, Maria Antonieta de Brito (PMDB), afirma que é precoce afirmar que uma ponte seria melhor que um túnel antes de analisar o estudo e os impactos de ambas as soluções. "Mas eu entendo que a ponte tem um apelo maior, é considerada turística e traz outros benefícios por se arquitetonicamente mais bonita".

 

O prefeito de Santos, João Paulo Tavares Papa (PMDB), concorda. Ele afirma que neste momento a questão está relacionada à solução, à localização, aos acessos e a compatibilização do projeto com as áreas urbanas das duas cidades. "Mas entre ponte e túnel eu sempre fui muito favorável a ponte, por questões ambientais e de ganho urbanístico. Uma ponte é sempre um marco, é sempre um cartão postal, uma marca forte das cidades portuárias, que tem travessias importantes, as pontes são referenciais", completou Tavares.

 

O fato é que caso o governo opte pela ponte, o local da ligação seca atenderia ao desejo dos prefeitos de Santos e Guarujá, pois a construção de uma ponte seria mais viável pelo centro de Santos que pela Ponta da Praia, onde fica a travessia por balsas. Já o túnel, segundo técnicos, pode ser construído nas duas localizações. "A ideia da ponte seria entre a Avenida Mario Covas (antiga Portuária), em Santos, até aquela área próxima à prefeitura do Guarujá, no caminho de quem vai para Vicente de Carvalho", afirmou o deputado Barbosa.

 

Segundo ele, assim que o estudo ficar pronto será discutido com os prefeitos das duas cidades e com a Frente Parlamentar. "Pretendemos fazer mais duas audiências públicas em Santos e Guarujá para debater o projeto, mas é o governador quem vai dar o aval final", completou.

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