Governo assume erro por informações sobre saúde de Eloá

Governo chegou a divulgar a morte da menina, seqüestrada por 100 horas, mas voltou atrás e desmentiu

Giuliana Vallone, do estadao.com.br,

17 de outubro de 2008 | 20h38

O estado de saúde da menina Eloá Cristina Rodrigues, 15 anos, seqüestrada durante 100 horas pelo ex-namorado Lindembergue Alves, 22 anos, foi alvo de confusão de informações nesta sexta-feira, 17. O governo de São Paulo chegou a informar que a menina teria falecido, mas corrigiu a informação. Eloá, que foi baleada na cabeça e no abdômen, foi levada de ambulância até o Centro Hospitalar Municipal de Santo André, onde, segundo as últimas informações, continua inconsciente.   Veja também: Leia a íntegra da nota divulgada pelo governo de São Paulo Polícia invade, reféns são levadas e seqüestrador é preso 'O que deu errado foi o tiro que ele deu na menina', diz coronel Armas de policiais e seqüestrador são apreendidas para perícia Confira cronologia do seqüestro  Seqüestro em Santo André é o mais longo registrado em SP Pai de Nayara diz que foi ‘expulso’ pela PM de escola Jovem disse que ia matar ex-namorada se polícia invadir o local  Galeria de fotos do seqüestro      Mais cedo, porém, foram divulgadas informações de que o secretário da Segurança Pública, Ronaldo Marzagão, havia confirmado a morte da menina ao governador José Serra. A assessoria do Palácio dos Bandeirantes, porém, tratou de dizer que não confirmaria o falecimento, e que as informações teriam que ser dadas pela Secretária de Segurança Pública do Estado.   Em nota, a assessoria do governo explicou que o engano foi provocado porque as primeiras informações que chegaram davam conta da morte da menina. Mas, em seguida, "nova informação deu conta de que, felizmente, ela foi reanimada na sala de cirurgia". "Pedimos desculpas à família de Eloá e, junto a ela, oramos a Deus por sua recuperação", afirma o texto.   A informação da morte foi negada logo no início pela assessoria de imprensa da Prefeitura de Santo André, que a classificou como um equívoco. Segundo o último boletim médico, Eloá passa por uma cirurgia há cerca de uma hora, e a previsão era de que o procedimento durasse pelo menos mais uma hora.   Nayara, a amiga de Eloá que chegou a ser libertada mas voltou ao apartamento com autorização da Polícia Militar para negociar com Alves, foi atingida na face mas não corre mais risco de morte. De acordo com as informações da assessoria, ela passa agora por uma avaliação.   O resgate   Policiais do Gate invadiram o apartamento onde Alves, de 22 anos, mantinha Eloá, de 15, refém desde às 13h30 de segunda-feira. A invasão aconteceu às 18h08 desta sexta. Lindembergue foi preso e levado por um carro da Polícia Militar ao 6.º Distrito Policial, na Vila Marrey. Eloá, baleada na cabeça e na virilha, está em estado grave. Ainda não há informações sobre quem teria feito os disparos. Houve um forte barulho de explosão quando a polícia invadiu o apartamento.   Três disparos foram ouvidos no local. Às 18h17 Eloá foi levada do local por uma ambulância. Às 18h18, Nayara foi levada por um carro do SAMU. Os policiais do Gate invadiram o apartamento pela porta do apartamento e por uma janela.   Na manhã desta sexta, a polícia usou o irmão de Eloá para negociar o fim do seqüestro. Douglas, de 14 anos, foi o negociador para a libertação dos reféns. As negociações estavam travadas desde a o fim da manhã de quinta, quando Nayara, amiga de Eloá que havia sido solta na noite de terça, voltou ao apartamento para convencer Lindembergue a soltar a amiga, mas acabou sendo feita refém de novo.   A volta de Nayara ao apartamento teria sido uma exigência do seqüestrador. E a polícia permitiu o retorno da adolescente. "Foi um erro grosseiríssimo", afirma o coronel da reserva José Vicente da Silva, diretor do Instituto Pró-Polícia e ex-secretário Nacional de Segurança Pública. "Colocar mais um inocente em risco é a última coisa que poderia ser feita."   Ele não foi o único a condenar a concessão feita pelo Grupo de Ações Táticas Especiais (Gate) da Polícia Militar. "Não entendi como permitiram a volta de uma refém menor de idade ao ambiente de risco", diz o capitão da reserva Rodrigo Pimentel, ex-comandante do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) da PM do Rio e co-autor do livro Elite da Tropa - que deu origem ao filme Tropa de Elite. "Foi uma decisão pouco responsável."   Policiais que já atuaram no Gate e hoje ocupam outros postos também criticaram a maneira como o processo vem sendo conduzido. "No processo de negociação é preciso haver alguns limites", defende um deles. "É inadmissível colocar a vida de alguém em risco. E, pior ainda, menor de idade." Como o comando da PM não autorizou que ninguém se manifestasse antes do fim do caso, eles pediram para não ter seus nomes revelados.

Tudo o que sabemos sobre:
Seqüestro em Santo André

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.