Governo amplia bônus para quem poupar água

Medida foi anunciada pelo governador Alckmin, que negou falta de água em novembro

O Estado de S. Paulo

16 de outubro de 2014 | 14h06

Atualizada às 23h

Diante do aumento do consumo e dos cortes no abastecimento de água na Grande São Paulo, o governador Geraldo Alckmin (PSDB) anunciou nesta quinta que vai criar um bônus gradual para dar desconto na tarifa também para os clientes da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) que não atingirem a meta de 20% de economia estipulada pelo programa. 

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A proposta prevê o desconto proporcional ao volume de água economizado no mês, mas ainda não tem data para começar. “Economize 5%, você ganha 5% de bônus. Economize 10%, você ganha 10% de bônus. Economize 15%, você ganha 15% de bônus. Chegou a 20% ou acima disso, 30% de bônus”, afirmou Alckmin. O governador disse ainda que a crise de estiagem “é geral”, mas só o Estado de São Paulo ofereceu bônus na conta. Hoje, quem economizar ao menos 20% tem 30% de dedução na tarifa.

“Ela (crise) vale para abastecimento e também para a energia elétrica. Ninguém no Brasil estabeleceu um estímulo ao uso racional (da água): nenhuma prefeitura, nenhum governo”, disse Alckmin. A cidade de Guarulhos, na Grande São Paulo, também adotou bônus na conta após a Sabesp reduzir o volume de água vendido ao município.

Menos de 50%. A proposta anunciada pelo governador vem no momento em que a adesão da população da Grande São Paulo ao programa de bônus da Sabesp caiu, assim como o volume de água economizado, apesar do agravamento na crise dos principais mananciais que abastecem a região.

Segundo a Sabesp, o número de clientes da Grande São Paulo que atingiram a meta do bônus caiu de 51%, em agosto, para 49% em setembro – e os que elevaram os gastos com água subiram de 24% para 25%. No mesmo período, o volume de água economizado em toda a região caiu de 3,9 mil litros por segundo para 3,6 mil litros por segundo. Em maio, por exemplo, quando a Sabesp começou a utilizar o volume morto do Cantareira, a redução do consumo foi de 3,3 mil litros por segundo.

“Já temos seis meses de campanha e os dados mostram que essa ação, que é importante, já atingiu um patamar de estabilidade. Mas nós precisamos economizar mais, porque já estamos entrando no segundo volume morto do Cantareira. É preciso pensar em uma medida que atinja os 25% que ainda estão consumindo mais água. Não acho que esse incentivo gradual vai mudar esse cenário de forma significativa”, afirma a coordenadora do projeto Água SP do Instituto Socioambiental, Marussia Whately.

Segundo dados da própria Sabesp, a economia de água tem sido maior em bairros de periferia e o consumo aumentou nos grandes condomínios que não têm medição individualizada. “Acho que chegamos no momento que a melhor alternativa é a penalização de quem aumenta o consumo”, diz Marussia.

O Estado chegou a anunciar em abril a cobrança de uma sobretaxa, mas recuou da medida em julho. Na quarta-feira, a presidente da Sabesp, Dilma Pena, sugeriu ao prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, que penalizasse o desperdício. Na quinta, o prefeito evitou comentários.

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