Felipe Rau/ Estadão
Felipe Rau/ Estadão

Governo ameaça cortar ponto e demitir grevistas da CPTM

Secretaria dos Transportes Metropolitanos e companhia vão pedir à Justiça do Trabalho que decrete a ilegalidade da paralisação

Juliana Diógenes e Rafael Italiani, O Estado de S. Paulo

03 Junho 2015 | 10h42

SÃO PAULO - O secretário estadual dos Transportes Metropolitanos, Clodoaldo Pelissioni, ameaça cortar ponto dos funcionários da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) que estão parados nesta quarta-feira, 3. O governo de São Paulo vai pedir à Justiça do Trabalho que decrete a ilegalidade da greve para até o fim do dia tentar retomar o funcionamento dos ramais. 

Para Pelissioni, a greve é ilegal por não atender no mínimo 90% do efetivo na hora de pico. "A greve, neste momento, é ilegal. Esse tipo de serviço de transporte sobre trilhos é considerado serviço essencial. Mesmo fazendo paralisação, os sindicatos deveriam atender o mínimo de 90% na hora do rush. Só aí temos como caracterizar a greve como ilegal", disse o secretário.

Caso a justiça acate o pedido de considerar a greve ilegal, a CPTM vai, segundo o secretário, até demitir funcionários de sindicatos que pararam e cobrar uma multa de R$ 100 mil das entidades que representam os trabalhadores.

Segundo ele, a CPTM tem 9 mil funcionários, que se revezam em três turnos durante as 24 horas do dia - 500 aderiram à paralisação na manhã desta quarta-feira.

Pelissioni defendeu a proposta feita pela CPTM e criticou a decisão dos sindicatos de parar. "Em tempos de crise econômica e desemprego, é complicado atender todos os pedidos, mas estamos fazendo todos os esforços", afirmou. "Vamos cortar ponto, mas esperamos que isso não seja preciso", disse.

No ano passado, o ex-secretário Jurandir Fernandes adotou a mesma política com os funcionários do Metrô que pararam por cinco dias.

Negociações. Pelissioni disse que a queda de arrecadação causada por dificuldades financeiras influencia a negociação com os sindicatos dos ferroviários. "Além da reposição inflacionária, a Justiça do Trabalho sugeriu que os funcionários tivessem ganho de 1,5% (por produtividade). O governo concordou. Nesse momento de desemprego de muitos setores, é uma proposta bastante positiva diante do quadro em que vivemos", disse.

Em nota, a CPTM disse que considera a paralisação "irresponsável". "A decisão vai contra a recomendação da Justiça de continuar as negociações sem paralisação dos serviços até o próximo dia 11 de junho, quando haverá nova reunião no Tribunal Regional do Trabalho", informou o texto.

O Tribunal Regional do Trabalho da 2.ª Região (TRT-2) fez na tarde desta terça-feira a terceira audiência de conciliação entre a CPTM e quatro sindicatos de trabalhadores. O encontro terminou com duas novas propostas feitas pela empresa: a primeira de reajuste salarial com base no Índice de Preços ao Consumidor (IPC/Fipe) mais 1% por produtividade - total de 7,72% - e 10% de reajuste para os demais benefícios (vale-refeição, vale-alimentação e auxílio-maternidade). A segunda, de 8,25% de reajuste linear (para salário e benefícios). A categoria reivindica 7,89% de reajuste mais 10% de aumento real.

Uma nova assembleia dos ferroviários está marcada para as 14 horas desta quarta-feira, quando os sindicatos vão avaliar uma eventual nova proposta da empresa e decidir se continuam com a paralisação.

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