Governo Alckmin diz que 'nunca vetou' alertas sobre crise

Palácio dos Bandeirantes afirma que é a Sabesp quem deve 'esclarecer' as gravações; Companhia afirma que divulgação de áudios tem interesse 'eleitoreiro'

Rafael Italiani e Fabio Leite, O Estado de S. Paulo

24 de outubro de 2014 | 17h21

Atualizada às 22h07

SÃO PAULO - O governo Geraldo Alckmin (PSDB) afirmou nesta sexta-feira, 24, que “nunca vetou qualquer alerta sobre a crise hídrica”. Em resposta aos áudios da presidente da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), Dilma Pena, e do diretor metropolitano, Paulo Massato, a gestão disse que a empresa é que deve esclarecimentos. A companhia chamou de “eleitoreiro” e “desonesto” o vazamento das conversas. 

Na gravação, Dilma afirma que “superiores” barraram ações na mídia para estimular a população de São Paulo a economizar água e o diretor da companhia diz que “não vai ter água para o banho” na Grande São Paulo por causa do baixo nível no Sistema Cantareira e da grave estiagem.

“Cabe à Sabesp, empresa autônoma da administração indireta, composta por uma diretoria e um conselho de administração, esclarecer as circunstâncias e o sentido das frases gravadas e vazadas seletivamente a dois dias das eleições (presidenciais)”, afirmou o governo, por meio de nota. A gestão disse também que os áudios não fazem uso da palavra “alerta”, “tampouco mencionam o governo do Estado de São Paulo”. 

A gestão Alckmin afirmou que não proibiu nenhuma propaganda sobre a crise. “Ao contrário, o próprio governador concedeu mais de uma centena de entrevistas coletivas, desde fevereiro, para salientar a gravidade da maior seca já registrada na história.” Segundo o governo, “nessas entrevistas, o governador tem pedido a colaboração da população no uso racional da água e repetido à exaustão o fato de que choveu, neste ano, a metade do volume verificado em 1953, no qual se registrara, então, a maior estiagem”.

Desonestidade. Dilma e Massato, em comunicado conjunto, afirmaram que o vazamento dos áudios tem interesse político. “É óbvio o claro intuito eleitoreiro da divulgação desonesta desta reunião interna de trabalho, a dois dias da eleição presidencial.” Segundo eles, o trecho de “pouco mais de dois minutos foi extraído de maneira distorcida e fora do contexto de uma reunião que durou mais de quatro horas”. 

Dilma e Massato afirmam também que a Sabesp “foi a primeira a alertar a população sobre a maior seca da história” e ressaltaram que a estratégia de comunicação já havia sido decidida pelas instâncias superiores da empresa.
Disseram ainda que a Sabesp iniciou, em 27 de janeiro, campanha publicitária afirmando que “o Sistema Cantareira está com o nível mais baixo dos últimos 10 anos”. A empresa fez mais de 3 mil inserções na televisão e mais de 13 mil em rádio. 

A assessoria de imprensa da Sabesp informou também, em nota, que o objetivo da reunião “foi o de ampliar ao máximo as ações de comunicação para o uso racional da água junto aos funcionários da companhia”. A empresa alegou que sua comunicação é feita “de forma autônoma”. Sobre as declarações do diretor, a Sabesp informou que, também naquele momento, “a diretiva era diminuir ao máximo a dependência do Sistema Cantareira”.

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