Governistas fazem proposta para fim da greve da polícia em SP

Se paralisação acabar, reajuste deve ser antecipado; sindicato avalia que plano 'melhorou um pouco' a situação

Carolina Ruhman, Agência Estado

11 de novembro de 2008 | 18h54

O líder do governo na Assembléia Legislativa de São Paulo, Barros Munhoz (PSDB), informou nesta terça-feira, 11, que a base do governo do Estado fez uma proposta aos representantes dos policiais civis em greve para antecipar parte do reajuste previsto em projeto de lei que tramita na Casa. A proposta "melhorou um pouco" o plano de reajuste para a categoria, avaliou o diretor da Associação dos Delegados do Estado de São Paulo (Adpesp) André Dahmer. Ele informou que as entidades representativas da categoria irão se reunir até a quinta-feira, 13, para discutir os próximos passos da paralisação.   Veja também: Ouça o hino da greve dos policiais civis  Entrevista exclusiva com José Serra  Galeria de fotos do conflito no Morumbi Policiais civis e militares entram em confronto em SP; assista   Todas as notícias sobre a greve         A idéia dos governistas é que, se os policiais decidirem encerrar a paralisação, que dura 58 dias, o governo de São Paulo enviará um projeto para a Assembléia Legislativa antecipando o segundo aumento de 6,5% de novembro de 2009 para agosto do mesmo ano. A nova proposta é, entretanto, condicionada ao fim da paralisação.   "É um acordo da base do governo com as lideranças dos servidores", afirmou à Agência Estado. Munhoz frisou que esta é uma iniciativa da base governista e não partiu do governador José Serra (PSDB). Na quarta-feira, Serra enviou proposta para a Assembléia que antecipava o pagamento dos dois aumentos de 1º de janeiro de 2009 e 2010 para 1º de novembro de 2008 e 2009, respectivamente.   Enquanto isso, os sindicalistas afirmam que ainda vão analisar a nova proposta dos governistas. "Nós vamos debater se vamos continuar o movimento com greve, se vamos continuar o movimento sem greve ou se vamos acabar com o movimento", disse Dahmer. Os sindicatos dos investigadores e dos delegados devem reunir-se separadamente ainda na noite desta terça, mas a Adpesp marcou seu encontro com as bases apenas na quinta.   Além disso, destacou Dahmer, a base governista também propôs abrir um canal de discussão a partir do ano que vem com os policiais para debater as condições de trabalho e remuneração da categoria. "O principal é que eles se comprometeram a abrir um canal de diálogo para debater a Polícia Civil", destacou o diretor da Adpesp.   Caso os policiais aceitem a proposta, a idéia é aprovar os projetos de lei - que foram enviados à Assembléia em regime de urgência - o mais rápido possível. São cinco projetos tramitando na Casa, que prevêem reajuste, aposentadoria e outros benefícios aos policiais civis e militares. Munhoz afirmou acreditar, inclusive, que o plenário pode aprovar ainda hoje o Projeto 59, que trata do reajuste dos delegados da Polícia Civil.   O governo estadual resiste há quase dois meses às pressões da Polícia Civil de São Paulo, mas tem cedido gradativamente à categoria. Sua primeira proposta implicava em um gasto anual de R$ 300 milhões aos cofres públicos. Depois de muita batalha, que inclui o confronto armado em frente ao Palácio dos Bandeirantes, o governo de José Serra ampliou o gasto anual para R$ 830 milhões e a garantia era de que esta seria a oferta final. A proposta da semana passada elevou o custo anual do pacote a um total de R$ 1,05 bilhão. Não há ainda uma estimativa de quanto pode custar a nova proposta, caso seja aceita pelos policiais.

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